quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Carta a meu Pai...




Decisões para o dia de hoje...
Meu pai, nesta preçe da manhã...
Derramo sobre ti o meu coração!
Tomei algumas decisões...
Aceita, por favor, eu te peço...
Minha oração como oferenda agradável a Ti.
Com o coração feliz e a alma em paz, eu reconheço:
Só em Ti posso descansar sossegado...

Buscarei o convívio de poucas pessoas...
Como o salmista, prometi a mim mesmo: Não me assentarei na roda dos zombadores. (Sl 1)
Priorizarei fazer minhas refeições com os amigos mais queridos...
(Voces sabem que falo de voces!).

Meu refúgio será ao lado de pessoas simples...
Contemplarei mais entardeceres...
Subirei mais montanhas...
Andarei descalço na primavera...e continuarei assim por um bom tempo...
Chamo isso de Liberdade de espírito!

Desisti do sucesso, da sagração humana  e dos aplausos...
Morri para a ambição de conquistar pessoas e de receber honras...
Aprendi que "a mesma mão que afaga é aquela que apedreja."
Abandono a conquista dos sonhos grandiosos... 
Simplesmente seguirei meu caminho para atingir a mais singela de todas as façanhas...
- Perseverar na Esperança sem perder a sinceridade.
Chamo isso de humildade em processo!

Aprenderei a valorizar os momentos despretensiosos da vida...
Conversarei mais com as árvores...
Não terei vergonha de rir sozinho na rua...
Chamo isso de loucura misturada com alegria!













Lerei mais poesia para entender a alma humana...
Mais romances para continuar sonhando...
Curtirei boa música para tornar a vida mais bonita...
Tocarei incansavelmente meu pandeiro fazendo batucada só para espantar meus demônios.
Desejo meditar muitas vezes diante do pôr-do-sol...
Amarei o silêncio na frente da praia...só para pensar em Ti.
Quero manter minha alma tranquila...
Chamo isso de serenidade de Espírito.

Prometi para mim mesmo: quero manter leve meu coração...
Renuncio o convite dos maus sentimentos que batem minha porta.
Permanecerei surdo diante do grito do desespero.
Estarei aqui nesta janela, pertinho da floresta agradecendo a Ti por tua fidelidade.
Chamo isso de sonho realizado!

Procurarei orar mais no secreto do meu quarto...
Lerei as Escrituras como uma carta de amor de meu Pai...
Evitarei gastar tempo com coisas fúteis...
Minh’alma sente necessidade de Ti...
Oh...meu bom Deus...(!)
A Ti, meu pai, rendo minha gratidão...
Minhas letras, minh’alma e minhas horas.
Chamo isso de Espiritualidade encarnada.

Aceita minha oferenda, Senhor nesta manhã...
Como agrável e suave incenso que sobe a Ti.
Amém.







Salamaleiko!
Santa Teresa-
19 de novembro-2009
Frei Eduardo F. Melo.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Pensamentos sobre a Dor e a Loucura....

_______________________________



Hoje acordei com uma vontade imensa de escrever.
Decidi neste segundo semestre redimensionar meu tempo.
Alguns têm reclamado minha presença...
Que ando sumido. Que estou mudado...rsrsrs...

Não é bem assim...
Confesso: decidi deixar algumas ocupações de lado. Prorizei outros objetivos.
Sabia com urgência que precisava re-estruturar minhas leituras...
Alimentar minha vida devocional e escrever mais.
A passos lentos estou conseguindo tangir este horizonte.

Tal mudança foi motivada pelos tantos conselhos de amigos que me diziam:
"...Eduardo, escreve!
Coloca em papel...expõe tuas idéias!"

Aceitei o desafio !!
Reconheço com serenidade minha capacidade intuitiva.
Não crio a partir do nada. - Quem consegue?
Por isso digo sempre: insights.
Não acho que tudo que esteja aqui seja, de fato, "propriedade minha"...
Quando copio idéias tento sempre citá-las.
Não quero me apropriar do que pertence a outrem...
E daquilo que "sai de mim", também não aceitarei que seja só meu.
Por isso "pósto".
Salamaleiko....

Segunda-feira, dia de folga...
Chuva torrencial ali fora...
Nada melhor que acalmar o coração, preparar um chá.
Ouvir música ambiente.
Levar biscoitos para o quarto.
Tomar café com leite quentinho...
Olhar pela janela.
Ver o mundo.
Sentir a brisa leve.
Deixar a mente livre. Pensar.

A leitura da “REVISTA PSIQUÊ” tem norteado meus últimos insights.
A partir deste novo foco de pesquisa, estou conseguindo entender algumas realidades pertinentes ao mundo da psiquiatria e da mente humana.
Esse novo texto é resultado dessas noites literárias.

Boa leitura!!













PENSAMENTOS SOBRE A DOR E A LOUCURA.

Todos podem adoecer mentalmente...

Não há ninguém na terra que não esteja sujeito a depressões, neuroses e até surtos psicóticos. Já vi pessoas empurradas pela dor até a fronteira do inferno que não suportaram as pressões da vida.
Algumas foram internadas em clínicas psiquiátricas...
Outras se tornaram alcoólatras; muitas se viciaram em drogas tóxicas.

Já me vi obrigado a enfrentar a dura realidade da depressão familiar e do suicídio...
Uma amiga muito querida aqui de nossa Igreja, sofrendo com a perda de seu namorado, tempos atrás acabou se suicidando, deixando amigos e familiares destroçados.

Já presenciei o triunfo de muitos que resistiram aos embates existenciais da vida...
Notei que, mesmo cambaleantes, eles conseguiram retomar o controle de suas histórias. Quando me lembro deles, volto a crer no poder do companheirismo e da solidariedade, e na presença muitas vezes imperceptível de Deus, que age no silêncio e cura nossas feridas por dentro.



Somos feitos de luzes e sombras...
Potencialmente, somos ao mesmo tempo, excelentes e ordinários, pacientes e bons, intolerantes e maus. Carregamos um tesouro em vasos de barro. Quando eles se quebram, precisamos de uma habilidade diferente para não perdermos o rumo da vida.

Entendi que os neuróticos não conseguem conviver com essa realidade e passam a querer controlar suas sombras...
Por mais que se esforcem, vez por outra, se surpreendem com erupções de um vulcão sombrio que dorme dentro deles.

Citando Jaques Lacan em seu "Ensaio sobre a Dor"...

“Milhões de pessoas vivem com algemas invisíveis.
Sem saber, aceitam o grito imaginário de um general que nunca nasceu, apavoram-se com um rugir de leões empalhados. Temem o veneno de cobras mortas".

Eles então procuram compensar suas fragilidades fugindo para mundos irreais. Como não conseguem viver em paz com seus defeitos e sombras, tentam se mudar para dimensões fantasiosas.
 








Citando Novamente Lacan:

"As neuroses se caracterizam quando comportamentos repetitivos significam tentativas de camuflar defeitos e problemas existenciais, tão próprios da nossa humanidade."

O neurótico se esforça para mostrar aos outros a legitimidade de suas açoes a todo custo, e assim evita assumir que é imperfeito e que esteja doente...
Neurose significa não saber conviver com a realidade humana, que por sua própria índole é precária, falível e defectível.

Os psicóticos, por sua vez, tentam arrancar suas sombras...
Eles não aceitam que possam existir defeitos e se recusam a encarar qualquer incoerência interior. Para não se defrontarem com a realidade, são mais radicais: amputam seus olhos e se permitem coisas que fogem aos padrões de normalidade no comportamento humano.

Destituídos de toda capacidade de enxergar sua humanidade composta de belezas e feiúras, também não conseguem ver o mundo: eles enlouquecem porque se desligam completamente da vida real e se perdem num mudo imaginário.











Em meus 31 anos de existência já vivi tristezas profundas...
Minha alma já se contorceu de dores sinistras. Quase perdi meu equilíbrio, brios e vontade de viver. Não fossem alguns poucos amigos, não sei aonde chegaria meu desespero.

Todos passamos por essas crises...
Elas são necessárias. Importantes, essenciais ao aperfeiçoamento. Absolutamente ninguém está livre do medo ou da dor que mora na dimensão tenebrosa de nossa alma...

Humildemente hoje, reconheço minhas fragilidades...
Sim, eu assumo: não me considero um padrão de normalidade e de perfeição que algumas pessoas esperariam de mim. Pensando assim, sinto-me mais autêntico e mais pleno em minha luta pelo aperfeiçoamento a que todos somos convocados.



Desisti de encarnar o mito da perfeição...
Aceito que sou frágil e dependente da Graça.
Agora, não me flagelo quando constato minhas vaidades e defeitos.
Parei de me culpar quando me surpreendo com minhas inseguranças e narcisismos.
Estou aprendendo a conviver com as sombras de minha alma olhando no espelho de minha história.
Não tenho medo dos traumas do passado, pois sei em quem coloquei minha confiança...(2 Tim 1, 12).

Reconheço hoje que minha paz vem de saber que sou amado e querido por Deus...
Mesmo com toda a minha imperfeição e as idiosincrasias do meu caráter. 
Na segunda-feira nublada desta cidade, olho pela janela do meu quarto e reconheço que Ele está satisfeito comigo, mesmo conhecendo minha estrutura e sabendo que sou pó.
Tento fazer o melhor possível. Devagar, passo a passo.

Confio em sua promessa e em seu amor...
Deus me quer bem e acima de tudo acredita e tem depositado sua esperança no pouco que lhe posso oferecer.

Hoje entendo que quem não quiser endoidecer...
Que reconheça sua humanidade...
Que pare com qualquer tentativa de dissimular suas sombras...
Que não continue tentando se convencer de que pode caminhar sozinho.
Essa é a questão.....

“O melhor ainda está por vir....”

Frei Eduardo F. Melo
Santa Teresa - ES
16 de novembro – 2009.










sábado, 14 de novembro de 2009

Nas margens deste rio eu chorei...

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Ínicio de composição em versos.
Porque tenho imensas saudades do meu Acre...



Nas margens deste rio eu chorei...
Como quem perdeu peça importante que se ama.
Vi um menino que guiava meu barco...
Ele não percebia que ali estava um "ser em chama".

De seu mundo ele me olhava curioso.
Seus olhos eram claros como o mar...
Eram rios de sol...Espelhos de luar...
Tudo me lembrava saudade...
Saudade que de tanta, me fazia chorar.

O menino com o barco seguia seu rumo...
Eu sentia pulsar dentro de mim a vida da floresta...
Perplexo, silencioso e moribundo,
Com as imagens daquele novo mundo,
Entendi da vida o que se presta.



Diante do calmo fim da tarde que repercutia...
Ele me conduzia, não sabendo que era, naquele instante,
Minha estrela-guia.
Outros queriam também ver o que ele via...
Mas esta possibilidade não havia.
O remo nas mãos só ele tinha.

Assim ele partiu....
e nunca mais voltou.
Dizem que sumiu pela floresta.
Mas só eu sei onde ele foi aportar...
Veio parar aqui: bem perto de mim!

(Quando o Acre deixei)

Foto retirada no rio Purus -
Divisa de Sena Madureira com o Amazonas.
15 de maio de 2007.
Frei Eduardo F. Melo
Santa Teresa - ES.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Minhas últimas Palavras...




Confesso:  Cansei.
Lembro-me que quando era criança gostava de ficar debaixo de uma árvore, sozinho a pensar na vida. Reconheço que sempre fui uma pessoa de poucos amigos. Sentia-me distante de mim mesmo, por isso caminhava tanto.

Continuo assim...Ando para consolar minha solidão.

Prefiro o silêncio das estradas...
Apesar de não parecer, tenho dificuldade para lidar com o grande público. Sinto-me tímido. Gosto de olhar a natureza, contemplar o pôr do sol e, se um dia pudesse, acho que seria capaz de dar a volta ao mundo somente para entender que não existem distâncias, porque todos os caminhos cabem dentro de mim...

Estava caminhando hoje pelas ruas aqui da cidade...
Encontrei-me com o Francisco. Ele, portador de um câncer maligno na boca, depressivo e acabrunhado, padece a meses esperando a morte chegar. Seu rosto inchado, os curativos, o forte odor apodrecido que jorra de sua boca não permite aproximações.









Quase chorei quando sua esposa me parou...
Senti a dor da exclusão de perto. Tive arrepios. Eu caminhando para manter a saúde. Ele sentado na calçada para manter a sua. Seus últimos dias de vida se aproximam. Os meus, não sei.
Com a alma em prantos, de imediato, decidi retomar esse antigo texto escrito em 2007.

Este texto faz memória de tantos que labutam arrastando suas vidas.
Talvez um dia eu seja um desses. Por isso escrevo.
Boa leitura!

Hoje quero celebrar a vida...
Celebrar a vida de todas as pessoas que detectam sentimentos menos brilhosos e estranhos em sua alma, e que iguais a mim, não se sentem culpados. Apenas são o que são e nada mais.

Quero fazer memória dos pacientes de cancêr que padecem nos hospitais...
Felizes os que choram amargamente...
Só eles reconhecem que a vida não é composta só de luzes...
Quem busca apenas o riso e a alegria querendo perenizar o prazer e a felicidade, um dia cairá no profundo abismo do desencanto.

Hoje estou convencido que é melhor chorar com quem se ama,
do que sorrir sem ter alguém para amar...



Aprendi com meu pouco tempo de vida...
Que só os tristes sabem os segredos das noites sem lua e que, algumas dimensões nobilíssimas da nossa humanidade, somente se expressam em corredores de morte.

PORQUE GRANDES SÃO TODOS AQUELES
QUE PERMANECEM DE PÉ E CONFIANTES,
MESMO QUANDO NÃO HÁ LUZ NENHUMA E NADA PARA CELEBRAR...

Felizes os que entram em contato com suas angústias e choram noites sem dormir...
Os que ocultam suas inquietações se condenam à superficialidade e não experimentam a dor que produz o verdadeiro amadurecimento.

Hoje quero prestar minha solidariedade a todos aqueles que vivem dramas existenciais e reclamam da dureza do existir.
Seu choro e sua tristeza tocam o coração de Deus,
que tanto as quer bem...

Hoje reconheço com serenidade: Não existe afirmação religiosa que consiga se impor com mais força que a própria vida.
De nada adianta a mensagem que promete á pessoa um mundo cor-de-rosa e sem sofrimento. Mais cedo ou mais tarde virá a tempestade que assola a casa. Ventos contrários varrerão projetos cautelosos e quem não edificar sua vida na verdade dos bons relacionamentos, ruirá implacavelmente.

Felizes os que não se consideram totalmente equilibrados...
Eles sabem que ninguém possui controle direto sobre suas emoções e reconhecem, inclusive, que serão traídos pelos incidentes do cotidiano.



Eles vão até o fundo do poço e não se sentem fracassados... pois sabem que tanto alegrias como tristezas são passageiras. Eles experimentam como o salmista Davi, que as misericórdias de Deus são eternas e que falhos e miseráveis, sem Deus não vamos a lugar algum....

Felizes os que admitem suas depressões e suas crises existenciais...
Eles não tentam sublimar suas inquietações com ativismos ou vícios anesteziantes. Só eles entendem que o Sofrimento é a única dimensão da vida comum a todos os homens e mulheres da terra. E é essa dimensão que nos torna mais humanos e solidários.

Quem tenta blindar-se e ocultar-se das tristezas
precisa também se proteger da alegria.

Fugir do sofrimento significa amortecer a felicidade que nasce depois de cada noite escura...

Felizes os que podem lamentar em público e assumir seus erros sem preocupação...
Eles não precisam de sorrisos plásticos, de discursos demagógicos ou da arrogância religiosa que despreza aquele que caiu. Eles se sentem acolhidos em sua honestidade.



Felizes os que erraram e voltaram atrás pedindo perdão...
Eles sabem que não serão apedrejados quando se mostram frágeis, porque vivem entre amigos verdadeiros.
Hoje, quero ser amigo de gente que caiu.
Somente eles podem me ensinar como Deus os levantou...e quão frágil é a nossa existência.

Felizes os que se parecem com Jesus de Nazaré...
Ele nunca mentiu sobre sua angústia ou solidão.
No jardim afirmou: “Minha alma está triste até a morte”.
Na cruz bradou: “Pai, porque me desamparaste?”.

Mesmo depois desses desabafos Deus lhe deu um nome que está acima de todo nome (Fl 2, 10). Se o Filho Unigênito do Pai pôde falar assim, ninguém deve temer revelar o tamanho de sua vulnerabilidade.



Ele foi honesto, quando o chamaram de mentiroso.
Ele foi dócil, quando o acusaram de exagerado.
Ele foi misericordioso, quando o acusaram de blasfemador.
Ele foi pacífico, quando poderia entrar “na guerra”.
Ele guardou o silêncio, quando tinha “todos os motivos” para gritar.
Ele teve compaixão, quando todos o recriminavam.

Decidi livremente: quero seguir sempre seus passos!
Quero estar em tua presença, Senhor, e em tua companhia caminhar com a alma em paz.
Jesus disse a um homem triste e decepcionado com a vida...
Não chores mais!
Este convite se estende a todos nós.
Que sejamos este tipo de pessoas, gente que acredita sempre que...

"O melhor ainda está por vir...."

Essa é a questão.




Salamaleiko.
Frei Eduardo F. Melo
Santa Teresa - ES.
12 de novembro-2009. 

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Meu amor em Gratidão!

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"A gratidão é o único tesouro dos humildes.
Ela é a memória do coração".
William Shakespeare



HOJE ESCREVO SOBRE A GRATIDÃO.
(conforme combinado com minh'alma irmã).

GRATIDÃO é um termo que vem da língua latina, e significa, segundo o dicionário Aurélio:
1. Qualidade de quem é grato;
2. Reconhecimento por um benefício recebido; agradecimento, reconhecimento.

A GRATIDÃO é a mais agradável das Virtudes.
Ela é um eco de alegria que nasce do nosso coração.
É o desejo de estar presente junto de quem se quer bem.
É um mistério que vence o nosso egoísmo e abre nossos braços para o próximo.

A GRATIDÃO é a saudade que dá na gente quando a alma se aquieta e fica amuada..
É estar num lugar sem estar.
É viajar e se reportar só pra espantar a saudade de quem não está.
É sonho, é harmonia é encanto.

A GRATIDÃO não nos tira nada. Ela é um dom sublime.
É a Virtude mais leve, mais iluminada porque faz o oposto brilhar.
Ela enche os nossos olhos de nostalgia.
Ela traz um colorido novo sobre nosso amanhã.
Aliada à verdade das intenções, é um refúgio certo para a solidão criativa.

A GRATIDÃO, como expressão do amor, torna tudo toléravel.
Ela traz sensibilidade a alma.
Ela é como o sorriso sincero de uma criança.
Um passo leve de uma dança.
É a expressão silenciosa dos namorados que nas tardes de domingo bailam de amor.

A GRATIDÃO torna agradável o ato de se dar.
Porque ser grato é nunca dividir nem subtrair, mas sempre somar.
Estive pensando:
O Egoísta é ingrato, não porque não goste de dar,
Mas porque não gosta de reconhecer o BEM que deve a outra pessoa.

A GRATIDÃO, eu creio, é esse reconhecimento, essa retribuição gratuíta.
Em forma de agradecimento, porque ama partilhar e dar de si mesma.

O que a GRATIDÃO dá?
Ela dá de si mesma ao outro, como extensão de si.
Por isso, podemos afirmar que a pessoa egoísta é ingrata.
Pois só conheçe suas próprias satisfações.
Exalta sua própria felicidade, pela qual zela com avareza: BURACO NEGRO DO EGOÍSMO.
(parafraseando o físico inglês Stephen Hawking )

GRATIDÃO é dom, é partilha, é alegria de estar.
Ah, como é bom estar ao lado dos que me são amados!
Repetindo com minh'alma:
"daria tudo para estar próximo do teu coração por longos dias."
É se abrir ao outro e viver o conselho do sábio.

GRATIDÃO leva sempre a gente a agir em favor da pessoa  amada...
Não por interesse próprio. Nem por uma troca de favores...
(isso seria benevolência ou retribuição).
Mas ela age assim, porque ama e quer dar sempre alegria a quem a alegra.
É por isso que podemos afirmar: a GRATIDÃO nutre e gera a generosidade.

Pensando bem, o certo é que a GRATIDÃO se distingue precisamente da Ingratidão...
Por que sabe enxergar no outro a causa de sua alegria.

A grandeza do sentimento da GRATIDÃO é a pequenez do homem.
Ela é a alegria da memória, o amor do passado e a esperança do próximo encontro futuro.

Como disse o Filósofo Epicuro em suas "Máximas Universais":

"GRATIDÃO por uma pessoa é desfrutar da Eternidade."

Segundo André Comte Sponville na obra "Pequeno Tratado das grandes Virtudes":

"A GRATIDÃO se regozija com o que aconteceu e com o que a pessoa é. Nesse aspecto, a gratidão é o inverso do arrependimento, o contrasenso da nostalgia."

E ainda segundo o Filósofo Baruch Espinoza em sua Obra " A Ética":

"A GRATIDÃO é alegria, repitamos, a gratidão é o amor em ato.
É por isso que ela se aproxima da caridade, uma gratidão sem causa, incondicional.
A gratidão é assim, o SEGREDO DA AMIZADE...,
Não pelo sentimento de uma dívida a ser paga, pois nada se deve aos amigos,
Mas por superabundância de alegria comum,
De alegria reciproca, de alegria partilhada".

Quem é GRATO?
Pergunto-me!
Não sei dizer!
Mas quando ouço um....

"OBRIGADO POR EXISTIR..."
"EU AMO O SEU CORAÇÃO..."
"TUA PRESENÇA ME FAZ TÃO BEM..."
"FREI, VOCE NÃO EXISTE...!"
"DARIA TUDO PARA ESTAR PERTO DO TEU CORAÇÃO POR LONGOS ANOS..."

Então eu sei. 
Aí está quem é grato e tem GRATIDÃO.
Aos que me inspiraram neste texto, meu agradecimento, minha admiração.
Não preciso citá-los. Voces sabem de quem falo...




Salamaleiko.
Frei Eduardo F. Melo.
10 de novembro- 2009.
Santa Teresa - ES.

domingo, 8 de novembro de 2009

Imagens de um abandonado.

* * * * * * * * *



Desde a minha graduação em teologia...
Lembro-me com saudade dos livros de minha estante.
Passava noites acordado.
Era feliz e sabia. Minhas madrugadas eram cumpridas.
Tenho saudades da imagem de minha janela...
Recordo saudoso os chás e os incensos acendidos para completar minha solidão.

Estava entrando num mundo diferente do meu.
Tenho saudade dos meus professores...
Gente que passava horas a fio debruçada em cima dos livros.
Graças a Eles tomei o gosto pela leitura.
Certa vez entrei na sala do Gabriel Selong
(renomado biblista da Puc-Rio e discipulo do Raymund Brown).

Ele tinha os olhos fundos...
A face macerada pelo cansaço, derivada das noites de sono mal durmidas.
Ele tomava um drink no meio da pilha de livros e teses a corrigir.
Pedi-lhe um novo livro. Desejava experimentar uma nova literatura.
Então me disse: - leia esse teólogo judeu aqui !
Era um livro do Jonathan sacks (Para curar um mundo Fraturado).
Ainda o conservo em minha estante...
E hoje, limpando sua poeira...
Retirei dele alguns fragmentos que considero importantes.

Boa leitura e um abraço a todos!
O próximo post já está em andamento.
Como havíamos combinado, eu e minha ALMA-IRMÃ, será sobre o tema da GRATIDÃO.
Aguardem!
*********



NAQUELE DIA, NAQUELE MONTE.

Ele olhou ao redor da montanha e previu uma cena.
Três corpos pendurados em três cruzes. Braços estendidos.
Cabeças inclinadas para frente.
Eles gemiam por causa do vento.
Homens fardados estavam sentados no chão, perto dos três.
Homens com roupas de religiosos se afastaram para o lado...
arrogantes, convencidos.

Mulheres envolvidas em sofrimento estão reunidas ao pé da montanha...
rostos marcados pelas lágrimas.
Todo o céu se levantou para lutar.
Toda a natureza se ergueu para o resgate.
Toda eternidade posicionou-se para dar proteção.
Mas o Criador não deu ordem alguma.

"Isso deve ser feito...", disse Ele, e retirou-se.

O anjo disse outra vez: "Mas seria menos doloroso se..."
O Criador interrompeu brandamente: "Mas não seria amor..."
E assim se foi.

Rabino Jonathan sacks.
Livro: Para Curar um Mundo Fraturado.
Editora: Sefer (São Paulo, SP).

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A quem mais amo - minha gratidão.




Talvez aquela tenha sido a melhor tarde que vivi.
Quem mais amava derramou sobre mim seu coração.
Suas lágrimas molharam meu peito.
Ouvi sua voz como aquele menino que viu o mar pela primeira vez, e que extasiado ficou sem palavras.

Ela soluçou seu desejo de reconciliação.
Por anos sonhava com este dia.
Seu afago tocou minha face.
Ela tinha um perfume doce. E eu a beijei.
Com um pobre de mãos estendidas, aceitei suas súplicas.
Ela me abençoou e se despediu.

Ao fim da noite, reconciliados com o eterno, olhamos um para o outro.
Subimos juntos aquele altar.
Comungamos juntos do mesmo cálice.
Ela, palavra mais eterna e sublime: mãe.
Eu, palavra derivada dela, substantivo que dá sentido ao que sou: filho.
De dentro dela fui jogado ao mundo.
De dentro do mundo, voltei pra junto dela.
E encontrei o amor.

Comungamos juntos naquela noite.
"Nosso amado" havia entrado pela porta que mais amo.
Seu coração era casa de ouro.
Porque foi do dela que nasceu o meu.

Agora ela era casa de Deus.
Ele, nela fez morada, assim como no seio da virgem.
E ela, como a virgem, aceitou a visita do céu.
E pra casa voltou, rindo de alegria.
De lá pra cá, ficou a gratidão.
Gratidão que não aceita explicação.

E foi quando o Eterno me falou:
Agora, volta pra casa e entra no descanso do teu Senhor.

Frei Eduardo F. Melo
No dia 26 de outubro - 2009
Depois da confissão de mamãe.
No dia em que celebramos juntos a Eucaristia na casa de nosso Pai.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Meus sonhos possíveis.


* * * * * * * * * ** * * * * * *



Hoje escrevo sobre como gostaria viver.

São apenas insights, claro, mas acredito na viabilidade dos sonhos. Afinal, é através deles que tornamos nossas esperanças possíveis.

Sabe, vivo uma fase muito feliz na minha vida!

Tenho andado na companhia de pessoas que me querem bem.Meu coração se enche de alegria só de pensar no carinho que tenho recebido por onde passei. Linhares, santa Teresa, Itambacuri, São Gonçalo. Meu povo, minha raça, minha tribo. Aqui está minha vida. Agradeço de coração o carinho e o afeto de todos.

Hoje retorno ao passado e desabafo com Deus minhas inquietações. Como ainda não alcancei a meta, sigo em frente acreditando nas mudanças que tenho planejado para minha vida. Por isso creio sempre:

"O Melhor ainda está por vir..."

SOBRE COMO DESEJO VIVER

Quero viver sem as exigências religiosas das pessoas que esquecem que sou pó...
Tento, Deus sabe como, ser sensível à voz de Jesus e já não tolero pessoas que procuram mostrar sempre ao mundo o que nunca foram. Não quero ser hipócrita. Assumo minhas culpas e reconheço perante Deus o quanto tenho lutado para melhorar.



Quero viver próximo de meus amigos. Não suportarei essa distância...
Sim, eu sei. Sou afetivo. Gosto de abraço. Gosto de carinho. E quem não gosta? Mas sei também que sou julgado por causa disso. Só não sei como explicar porque certas pessoas querem que ao mesmo tempo sejamos frios e dóceis, afáveis e ponderados, amigos de todos, porém, nunca próximos (?).

Certas pessoas esperam e cobram de nós um equilíbrio emocional e uma sobriedade que nem o mais sábio e prudente dos homens poderia alcançar.Por isso assumo:

Quero viver sem a cobrança impiedosa das pessoas muito certinhas...
Não, não permitirei amizades “políciáveis” e interesseiras. Confesso que já vi mais exemplos de humanidade fora da igreja do que dentro dela.

Não facilitarei diante daqueles que querem perder a minha alma, lembrando-me do salmo 1, 1:

“Feliz o homem que não procede conforme o conselho dos ímpios, que não trilha o caminho dos pecadores, nem se assenta entre os escarnecedores.”

Quero ser livre para pensar e não escandalizar...
Quero saber sonhar e não constranger, rir e não decepcionar, chorar e não entristecer.



Não quero ser falso...
Não desejo mostrar minha vida e minha história através de fotografias, em que todos posam sorrindo. Fotos enganam, prefiro ser real.

Quero viver sem discursos espiritualizados...
Deus sabe o tanto que tenho me esforçado para tornar meus discursos aplicáveis às circunstâncias da vida comum.

Não quero pregar verdades só para os outros ouvirem...
Ou fazer das celebrações momentos de sentimentalismo fugaz sem compromisso ético de transformação das pessoas para com a história.

Não tolero mais ambientes religiosos emocionantes, restritos a momentos esporádicos...
Não quero voltar para casa em paz e, cinicamente, saber que os que me ouviram voltarão para casa do mesmo jeito. Chega de sermões cansativos e piegas, que não significam nada para as pessoas.



Quero viver sem a obrigatoriedade de manter-me sempre coerente...
e acima de tudo, correto em minhas inquietações existenciais, filosóficas ou espirituais. Quero continuar minhas leituras, meus questionamentos: são eles que me fazem mais crítico e atento aos problemas reais das pessoas.

Não quero continuar me conformando às expectativas dos fariseus de plantão...
Não temerei os ataques dos doutores da lei, das pessoas que conhecem a Igreja á mais tempo, mas que são indiferentes ao sofrimento do andarilho e do peregrino que bate a minha porta lascado.

Entendo o cristianismo como uma religião profundamente ética e transformadora de um mundo possível.

Lembro-me que quando Jesus passou por aqui ele não veio nos ensinar a irmos para o céu, mas nos ensinar a viver aqui na terra, como antecipação da glória futura. E é por isso que hoje luto.



Prefiro caminhar ao lado de pecadores, ao lado de quem está á margem, a compactuar com o ambiente asfixiante dos fundamentalistas...
onde as opiniões são tão fortes que não se toleram contradições. Seja dentro da política ou da religião.

Quero viver sem medo de rótulos e de críticas...
Sei que o coração humano é perverso. Sei que a mesma mão que afaga é aquela que amanhã te apedreja. Sei que o mesmo povo que aplaudiu a Jesus na entrada de Jerusalém foi o povo que gritou aos pés da cruz: crucifica-o. Por isso, não viverei a ilusão mirabolante de cativar multidões.

Confesso: Não lido bem com o “grande público”.

Prefiro o anonimato e a proximidade dos que conheço
a estar debaixo das luzes e dos aplausos excessivos.

Agradeço o carinho dos que em querem bem, mas não é isto que busco.

Quero viver parecido com Jesus, meu grande mestre. Ele foi livre, teve um coração leve, homem de uma alma íntegra, pessoa descompromissada com os poderosos do mundo e amigo dos marginalizados.

Quero seguir seus passos ainda que incoerente, vacilante e insensato.

Quero sempre amar minha Igreja, dar a vida por ela e através dela, amar e honrar o meu Bom Deus e ajudar as pessoas.


Quero manter a bondade em meu coração.

Sei que essa aventura de tornar realidade o que quero viver me consumirá pelo resto de minha vida, mas isso é hoje o que quero.

Ajuda-me Senhor!
Amém.

Salamaleiko.
Frei Eduardo F. Melo
2 de novembro – 2009.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Pecadores no Reino - Conhecendo melhor a história.


____________________________

Venho repensando seriamente meus conceitos sobre a Fé e a religiosidade.
E hoje decidi retomar um antigo estudo que fiz sobre o conceito de santidade citando alguns personagens bíblicos de minha preferência.

Basta um pouco de atenção para percebermos que na Bíblia, Santidade tem a ver com a luta contra o pecado. A Bíblia diz em 1 Pedro 1:15:

“Mas, como é santo aquele que vos chamou,
sede vós também santos em todo o vosso procedimento.”




A santidade de Deus não tolera o pecado. A Bíblia diz em Isaías 59,2:

“Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus;
e os vossos pecados esconderam o seu rosto de vós,
de modo que não vos ouça.”

Santidade é um dom, e como dom é um presente. Presente do alto, vindo da graça de Deus.

A Bíblia diz quanto mais lemos a Palavra de Deus mais santidade adquirimos.
A Bíblia afirma em João 17,17: “Santifica-os na verdade, poi a tua palavra é a verdade.”

Santidade é um termo que, segundo o dicionário Aurélio, relaciona-se com virtude, bondade, pureza de alma, estado elevado de espírito e nobreza de atitudes. Diz-se que santidade é o estado daquele que foi santo.



O homem santificado opõe-se a todo pecado; anda nos estatutos do Senhor e guarda os seus juízos e os observa. Mas não basta falar de santidade. É preciso vivê-la. E a Bíblia está repletade pessoas que foram, trangressoras e falhas como todos nós. Mas nem por isso deixaram de ser usadas por Deus para sua Obra.

Repare que para um grupo de judeus que tinha pescadores, andarilhos, cobrador de impostos, desempregados e um ajudante de marceneiro como Mestre da missão, só mesmo por Obra de Deus, para que a Mensagem se propagasse e produzisse tanto fruto como foi o início do Cristianismo. Essa religião tão linda e tão amada da qual nós fazemos parte hoje, continuando a obra salvífica de Deus na História Universal.

Então permita-me apresentar um resumo da vida de algumas pessoas que acreditamos terem sido muito “santas” na bíblia para entendermos como Deus usa de pessoas tão miseráveis como nós e transforma a vida delas numa bonita história.

UM LADO ALTERNATIVO DA HISTÓRIA BÍBLICA.

ABRÃAO era velho e decrepto quando respondeu aos apelos de Deus para que saísse de sua terra. Gerou um filho na sua velhice e determinou toda história do povo judeu com sua ação corajosa, e mesmo assim foi usado por Deus (Gênesis 15, 2);

MOISÉS assassionou um homem numa praça a pauladas. Foi fugitivo e quando criança fora abandonado pela sua família e colocado num barquinho no meio de um rio, e mesmo assim foi usado por Deus. (Êxodo 2, 12);

DAVI foi um rei adúltero, soberbo, e assassinou o marido da sua amante por inveja e teve de ser repreendido pelo profeta Natã, e mesmo assim foi usado por Deus (II Samuel 12);

SALOMÃO era sexólatra, milionário, idolatrou vários deuses pagãos em troca de amores e mulheres, e mesmo assim foi usado por Deus ( I Reis 11, 3-4);

JEREMIAS foi um profeta gago e pouco convincente, que tinha complexo de inferioridade e pouca auto-estima, e mesmo assim foi usado por Deus (Jeremias 1);

DANIEL foi um jovem profeta magrinho, sem forças para demonstrar o poder de Deus, mas foi um gigante na inteligência persuasiva diante do rei Ciro da Pérsia, e mesmo assim foi usado por Deus (Daniel 10);

ISAÍAS era sacerdote do templo, um senador milionário, chefe duma “mega” escola teológica, pai de uma grande família e foi assassinado pelos seus algozes sendo serrado ao meio, e mesmo assim foi usado por Deus (Isaías 1 e Hebreus 11, 37 e escritos apócrifos);

ESTER E JUDITE foram mulheres maravilhosas em beleza, corajosas guerreiras e profetisas que conseguiram arrancar a cabeça de seus opressores através da sedução e do encanto feminino, e mesmo assim foram usadas por Deus (Ester 5);

SAUL era cleptomaníaco, complexado com sua tendência homossexual e fofoqueiro, e mesmo assim foi usado por Deus (I Samuel 18);

SANSÃO apesar de corajoso e terrivelmente forte, se apaixonou por uma prostituta, a Dalila, e morreu com os dois olhos furados por que deixou descobrirem seu segredo, e mesmo assim foi usado por Deus (Juizes 16);

JOÃO BATISTA vivia no deserto, comia insetos e não tomava banho. Era ignorante e impaciente com as pessoas, insistindo na necessidade da conversão de todos, e mesmo assim foi usado por Deus (Lucas 3, 18);

PEDRO era ignorante, intransigente e tinha cabeça dura. Nadava pelado no rio, traiu a Jesus por medo de uma empregada, e mesmo assim foi usado por Deus e escolhido como o chefe da Igreja (Mateus 16, 18-20);

JOÃO E THIAGO eram serralheiros (trabalhavam com ferro), tinham as mãos calejadas e deviam ser antipáticos com as pessoas, e mesmo assim foram usados por Deus (fontes apócrifas);

MATEUS era cobrador de impostos, mercenário e odiado pelos pobres que explorava, e mesmo assim foi usado por Deus (Mateus 9, 9);

PAULO era curtidor de couro (fazia redes, cintos e celas de cavalos). Era arrogante e soberbo, além de cúmplice em assassinatos e condenações, e mesmo assim foi usado por Deus (Atos 7, 58 e fontes apócrifas);

JESUS era carpinteiro, andarilho das ruas, gostava de subir em montanhas, vivia nos cemitérios e na casa de gente esfarrapada pela vida, curtidor de festas e critico ferrenho da religiosidade oficial de seu tempo. E este sim era Deus (I Joao 5, 20);

MARIA era uma dona de casa simples, não fazia teologia, uma mulher que engravidou antes de casar, que fugiu várias vezes de casa, que quase nada falou. Sua vida e seu olhar são um mistério ( Lc 1, 26);

Por isso creio. Quero ser santo. E isso é possivel.
Hoje afirmo: santidade tem mais a ver com a capacidade de cair e levantar sempre, de retormar o caminho, de acreditar na misericórdia divina, de superar a queda, a não ter pecados ou deixar de viver a nossa humanidade.

Santidade nasce como fruto da esperança, como conquista do fazer o bem, como superação do mal que nos toca no coração.
Porque para Deus não existe santo sem passado, nem pecador sem futuro.
E porque a Glória de Deus, segundo Irineu, é ver o homem de pé.


Salamaleiko
Frei Eduardo F. Melo
29 de outubro- 2009.


quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Insights sobre a Fé.




A FORÇA DA FÉ

“A fé é o fundamento da esperança.
É uma certeza a respeito daquilo que não se vê!” (Hebreus 11,1)


Uma releitura do texto da Simone Weil
(escritora e filósofa judia - séc xx)

Durante a Segunda Guerra Mundial, na Alemanha, algumas pessoas pobres e perseguidas se refugiaram em um porão escuro e frio do interior do país. Quando as tropas dos exércitos aliados libertaram a Europa, achou-se inscrito numa das paredes daquele triste lugar, a seguinte frase:

“Creio no sol, mesmo que ele não brilhe.
Creio em Deus, mesmo que ele esteja em silêncio.
Creio no amor, mesmo que ele esteja oculto.”

As forças inerentes ao próprio ser humano são fascinantes.
Há a força de vontade, o poder do pensamento positivo e das palavras.
A mais poderosa de todas as nossas energias, porém, é a da fé.

Com a Fé o espírito triunfa sobre a matéria.
A Fé exalta o eterno sobre o temporal.
A Fé acontece quando Deus põe um ponto final, onde havia um ponto de interrogação.
Ela é um presente do Eterno para nós.
A Fé zomba da dúvida, permanece surda ao grito do desespero, está sempre cega para a impossibilidade.

Quando temos Fé, acreditamos no caráter de Deus.
Assim como um homem que, num incêndio se joga sem ver absolutamente nada senão a voz do bombeiro que pede que ele salte.
Assim como o cego que é dirigido sem saber o que está à sua frente, senão o carinho de quem o conduz.
Assim como a mãe entrega seu filho nas mãos do hábil cirurgião, acreditando no seu profissionalismo.

Segundo o autor da carta aos Hebreus, a Fé é uma certeza a respeito daquilo que não se vê. Ela é prima-irmã da esperança.
É uma antevisão daquilo que não está ao alcance dos olhos, nem da razão.
Está mais próxima do coração.

A Fé nos torna simples e Deus costuma aproveitar dos momentos mais insignificantes do dia-a-dia para que tiremos deles ensinamentos que nos tornem pessoas mais humildes, mais despojadas de nós mesmos, gente que tem sua vida alicerçada no Amor e na Unção do Deus Vivo que já nos perdoou.
Assim devemos confiar nosso amanhã a Deus, na certeza de que ele nos quer bem!

Jesus declarou a um homem ansioso e decepcionado com a vida:
“Se creres verás a glória de Deus.”

O mesmo convite se estende a todos nós!!!

Que sejamos essas pessoas que só no olhar, transmitimos esse dom imprescindível e sublime da FÉ.

Gente que está remando no contra-fluxo da história, acreditando que para além do impossível, há um Deus Vivo e Verdadeiro a conduzir a nossa história e habitando em nossos corações, enchendo o nosso viver de sentido e de razões.

“Esse é o verdedeiro Deus e a verdadeira Vida!”
(Jo. 5, 20)


Salamaleiko.
Frei Eduardo F. Melo
(28 de outubro- 2009)
Festa de São Judas Tadeu.

sábado, 24 de outubro de 2009

Lamentos em fins de tarde!


Hoje a tarde chorei.

Sou um andarilho com o coração em lágrimas.
Sou peregrino de um náufrago numa ilha deserta.
Hoje não esconderei minhas lágrimas.
Feliz por ler meus diários
Retorno da areia da praia e me sento embaixo deste coqueiro,
Porque acabo de ler a mensagem duma garrafa que veio em direção onde estava.

Sou um pote de água
parado em cima de uma montanha.
Sou a areia da praia marcada pelo desenho da mão daquela criança.

Na última vez que estive a falar com as árvores
Elas me disseram: siga em frente. Agradeci o conselho...

Hoje chorei, porque vi quem mais amava
Chorar diante de mim.

Ele me disse palavras sinceras
Entregou-me seu coração.
E eu, agradecido pela vida
Deixei seus olhos livres.

Meu coração ao seu se ajuntou
Eu vi sua dor doer em mim.

No abraço que tanto bem me fez
Vi-me refletido em seu olhar.
Ele me agradeceu e se despediu com lágrimas.
E se foi para o sol transfigurado.

Suas asas tocaram meu manto
Meu olhar o seguia.
E na bruma leve e calma da tarde que nos unia
Vi sua alma fazer parte da minha.
E por isso chorei, quando o vi chorar.
Chorei e chorei.
E aqui cheguei.

Frei Eduardo F. Melo
24 de outubro – 2009
Depois das 4 da tarde.
No lugar onde Dele recebi a vida.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Mudanças em tempos difíceis.




Minha fé vem mudando.
Meu olhar se aquieta.
Desisti das euforias de minha juventude, mas não perdi o encanto pela vida.
Meus sofrimentos tornam-me a cada dia mais ponderado.
Acredito que o amanhã continuará com semelhantes tempestades.
Mas creio que o sol virá todos os dias para enxugar a umidade de meu coração e o cair das minhas lágrimas.


Já não digo "eu te amo" com tanta rapidez.
Confesso: já vi amores começarem e acabarem como a brisa da manhã.
Ela vai e vem sem deixar rastros.
Despedi censores internos, eles detonavam minha pouca criatividade.
Não perco mais tempo com quem quer perder a minha alma.
Com o passar dos anos, lentamente procurei esconder dimensões da minha vida que pouco conhecia.
Hoje encaro minhas tristezas melhor de frente.


Aprendi a escutar os lamentos de minh'alma.
Meu coração desacelerou.
Aprendi a pedir desculpas. Minha prece mudou.
Já não procuro atalhos.
Não imploro por salvamentos, não mascaro minhas sombras.
Não aceito uma religiosidade falsa.
Rezo com mais calma e menos velocidade.


Minhas idéias fluem como calmos ribeiros - se renovam para depois morrerem.
Quero a doçura do azul do céu que hoje coloriu meu coração.
Aceito meus fracassos e toco a vida com a esperança no Deus de amor que tanto me quer bem.
Amo meu bom Jesus.


Hoje canto com o Lenine:
“Quando tudo pede um pouco mais de calma...
eu faço hora vou na valsa, a vida na pára.”

Salamaleiko.
Frei Eduardo F. Melo
22 de outubro- 2009.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Minha prece desta manhã.

Na alegria do encontro com meus pais.
No sossêgo do lar que tanto bem me faz.
Na calma e no afago constante de minha mãe.
Hoje, faço desta minha oração da manhã.

PEDI FORÇAS E VIGOR

Pedi Forças e vigor Deus me mandou dificuldades para me fazer forte.
Pedi Sabedoria e Deus me mandou problemas para resolver.
Pedi Prosperidade e Deus me deu energia e cérebro para trabalhar.
Pedi coragem e Deus me mandou situações para superar.
Pedi amor e Deus me mandou pessoas com problemas para eu ajudar.
Pedi favores e Deus me deu oportunidades.

Não recebi nada do que queria, mas recebi tudo que precisava.

Minhas preces foram atendidas.
Obrigado, Senhor!

Salamaleiko.
20 de outubro-2009
(AUTOR DESCONHECIDO)

domingo, 18 de outubro de 2009

Reconstruindo minha Imagem de Deus.



"Ele é a imagem do Deus invísivel".

Vez por outra bate no meu coração nostalgia. Não entendo porque meu temperamento e minhas expectativas mudam com tanta velocidade.

Num dia acordo super animado e feliz, acreditando que tudo sairá bem. Inevitavelmente noutros dias sou tomado por um pessimismo estranho, por uma sensação de vazio e de incapacidade para encarar os paradoxos da vida. Levanto ás vezes da cama com a leve sensação de que o mundo conspira contra minha felicidade.

Um dia quase pensei sofrer de depressão. Na clínica médica, os que sofrem dessa alteração de humor são caracterizados pelo Transtorno Bipolar. Mas sei que não estou sozinho nessa jogada.

A tristeza e o medo de que algo pode dar errado nos desestimula a encarar a vida como ela é. Perdemos a paz simplesmente por sentirmos nossas forças se afundarem no pessimismo.

Nesses dias obscuros, tomados pelo receio do inacreditável,
cremos que o futuro será nebuloso e ingrato conosco.

Nessas horas precisamos de uma dose diferente de energia para não sermos engolidos pela fugacidade da vida que pede insistentemente: Pare e olhe para o espelho!

A escritora Clarisse Lispector escreveu um belíssimo poema que hoje é a fonte de inspiração para este texto que escrevo:

" Você só poderá ser feliz na vida quando souber perdoar
os erros e as decepções do seu passado.
A vida é curta, mas emoções que podemos deixar duram uma eternidade.
Palavras que dissemos e opções que fizemos,
podem ter conseqüências enormes sobre o nosso futuro.
A Vida não é de se brincar, porque um belo dia se morre”.

Aparentemente pessimista, o texto apresenta algumas verdades intrigantes!



Desde que li o livro do Eclesiastes alguns anos atrás, confesso que minha visão de mundo e da vida vem sofrendo alterações.
Não aceitava que Deus poderia abençoar e proteger a vida de alguns, e simplesmente ignorar o sofrimento e os traumas de outros. Eu era um adolescente e naquela época conservava ainda um espírito de rebeldia e de ceticismo em relação a tudo que fosse imposto à mina inteligência. Com o passar dos anos mudei minha cosmovisão sobre Deus e o mundo...

Venho repensando seriamente minha Fé.
Entendo claramente hoje, que toda a base da religiosidade cristã está alicerçada sobre conceitos sólidos e plausíveis, mas confesso que o simples fato de conhecê-los não me tornou um melhor cristão. Entendi que a questão é outra.

Na dinâmica da fé, não basta o simples conhecimento, muito menos uma piedade ou uma fé exagerada, sentimentalista e supersticiosa para superarmos nossos medos diante das dificuldades da vida. Aprendi que para vencermos na vida, não basta termos boa disposição, otimismo e coragem.

A história que premia os corajosos que resistem ao cinismo e à inércia, também condena os fracassados a padecerem sozinhos diante do caos que se tornou a vida.

É preciso criarmos uma ambiência e uma estrutura de vida credível para que a religiosidade que cultivamos não se torne uma válvula de escape para não encararmos com serenidade as paranóias deste mundo e a dificuldade inerentes ao viver humano.

Muitas vezes, sem percebermos, a Religião também pode ser também geradora de pessoas alienadas e preguiçosas. Na vida, se não tomamos cuidado, corremos o risco de estarmos investindo forças na edificação de castelos de areia.



Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. É preciso arriscar. Confrontarmos forças e dedicarmos tempo para delinearmos nosso futuro, sabendo que Deus tem alegria em nos fazer o Bem, que Ele quer ser nosso sustentáculo seguro e como um companheiro de caminhada, está ao nosso lado para nos estender a mão quando cairmos pela estrada...

No ano passado fiz uma constatação de que a minha oração estava meio interesseira para com Deus. Forçava nas palavras. Tentava arrumar frases bonitas e coerentes. Imaginava que Deus estava me ouvindo; e eu, meio cínico e iludido, fazia malabarismos para arrumar argumentos para convencê-lo das minhas fraquezas.

Sabendo que ele me ouvia, decidi parar e pedir desculpas pela hipocrisia. Uma oração maquinada e conexa, arranjada estilisticamente, mas totalmente fria e interesseira. Mesquinha até...

Resolvi agradecer por Ele mesmo existir. Parei pra pensar e percebi que 85 % de minhas orações estavam direcionadas a agradecer e a lembrar de coisas que Deus tinha me dado. Uma oração materialista que nada tinha de sincera. Percebi que sua vida é tão bonita e sua pessoa e seu caráter, resplandecem uma beleza tão nobre e tão pura...

“Que eu não precisava ficar agradecendo por COISAS que Deus simplesmente pode FAZER ou DAR para mim, mas por aquilo que Ele PASSOU A SER para mim depois que o conheci.”


"Entendi que Deus me ama sem precisar que eu o ame
e corresponda a este amor, por isso Ele me tornou livre!

Entendi que o conceito que fazemos de uma pessoa revela e muito o modo como vamos nos relacionar com Ela. Dessa forma quando lidamos com alguém que consideramos com amor e carinho, temos a predisposição de amá-la e acolhê-la com suas limitações e defeitos. 

Aceito que grande parte dos dramas no relacionamento humano estão vinculados à nossa incapacidade de aceitarmos e de respeitarmos o tempo de mudança das pessoas.

Insensíveis e frios, queremos que os outros se adequem aos nossos parâmetros e regras; agindo assim, sem perceber, nos comparamos aos deuses fracassados, e acabamos querendo determinar os comportamnetos dos que nos rodeiam.

Mas Deus não age assim ! Como um Pai amoroso e bom,
Deus exerce sua paciência sem abusar de sua soberania.

Aprendi também que o jeito que uma pessoa aparece para mim é que vai ditar o modo como deverei me relacionar com Ela, e no caso de Deus, reconheci que precisava e muito mudar minha concepção a respeito do seu caráter. O problema da questão estava em mim, e não Nele...

Eu é que tinha de mudar as lentes dos meus óculos. Reconheci que necessitava de uma nova experiência de conversão. E hoje reconheço de novo esta mesma necessidade. E é por isto que eu luto.

Como no dizer da santa Teresa de Ávila:

"Tem épocas da vida que precisamos de uma conversão dentro da conversão".

Hoje , preciso escutar o sábio provérbio desta doutora da Igreja!
Eis a questão.

Frei Eduardo F. Melo
18 de outubro- 2009.
Salamaleiko.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Deus ouve o nosso Lamento.




Presença amiga.
“Quando Jesus viu Marta chorar, Ele se compadeceu profundamente em lágrimas.”

“De repente o telefone tocou. Atendi meio com sono e a voz do outro lado me dizia: - Eduardo, mamãe faleceu! Aos prantos, ela me pediu que orasse por ela. Eu rezei já chorando pela minha querida amiga. Pedi a Deus por sua vida. Talvez aquela tenha sido sua pior noite já vivida. Sua mãe agonizava no hospital, seus órgãos vitais já haviam desistido e seu corpo acostumado às batalhas, dava mostras do cansaço. Ela tinha morrido bem diante da filha.”



Comumente atribuímos os fatos negativos de nossa vida ao simples acaso. Sem querer, somos atingidos pela dor ou pelo sofrimento repentino. Nessas horas voltamos nosso olhar para dimensões da vida que normalmente não nos preocupavam. Somos reportados a algumas áreas que fazíamos questão de esquecer e não pensar.
Falo da morte.

Certo dia fui perguntado sobre o porquê do sofrimento.
 A situação era das mais terríveis: a mãe de uma querida amiga havia falecido depois de uma operação de câncer. Revoltada com a situação, aquela jovem não entendia porque tão rápido aquela doença havia acabado com a felicidade de sua casa.

Com minha pouca experiência de vida entendi que nestes momentos não basta sequer uma palavra. Conceito teológico nenhum consegue dar conta da falta que faz uma mãe. Nestes momentos, mais do que tudo, faz-se necessário uma presença que conforte e que transmita amor, porque não há respostas definitivas para o mistério da morte.


Se Deus existe, porque eu sofro?

Talvez esta seja uma das perguntas mais cruciais de toda a história humana. Este é, sem dúvida, o problema central da teologia cristã. Até hoje, físicos, antropólogos, religiosos e estudiosos dos mais variados campos da ciência já tentaram oferecer respostas para essa pergunta.

No entanto, precisamos aceitar que ainda não fomos convencidos por uma resposta plausível e coerente para esta pergunta. Por isso creio que o sofrimento pode oferecer duas dimensões para a pessoa:

1º lugar: Que a dor e o sofrimento podem ser um sinal para voltarmos a contemplar dimensões de nossa frágil existência que fazíamos questão de ocultar.

2º lugar: Que o sofrimento tira nossa atenção daquilo que é comum e trivial e coloca a nossa atenção naquilo que é eterno, levando-nos a contemplar a dimensão da vida sobrenatural. Porque o sofrimento coloca a nossa atenção no que de fato tem valor e nos ajuda a visualizar a fugacidade desta vida.



Muitas vezes, não percebemos,
Mas Deus entra nos porões de nossa vida e age no silêncio!

No desespero da dor é possível recebermos as visitas de Deus. Por mais escura que seja a noite e quando tudo parecer perdido, ainda podemos acreditar:  o seu amor criará sempre em nós réstias de luz para iluminar as trevas de nossa alma. 

"Por mais sofrida que seja a nossa existência, sempre haverá sinais da sua fidelidade a nos mostrar que não estamos sós." ( Mt 28, 20 )

E foi justamente por isso que o propósito da vinda de Jesus à terra estava primordialmente ligado à sua empatia com a nossa tristeza. Exatamente por vivermos em um mundo de dores e de dúvidas é que Deus nos visitou através do seu filho.




"Ele veio para caminhar ao nosso lado como um amigo que não nos abandona, como um irmão que nos sustenta e como um parceiro que nos ajuda a segurar a cangalha tão pesada da vida". (Mt 11, 28-30 )

Não há respostas simples para o sofrimento no mundo, mas há uma promessa: ele caminha ao nosso lado (João 16, 33).
Quantas pessoas choram nos corredores dos hospitais, ao lado de túmulos em cemitérios e trancados em suas casas, convivendo com fantasmas e dores incalculáveis?



Com certeza essas dores querem nos alertar sobre a real necessidade de resgatarmos o nosso conhecimento a respeito do caráter de Deus, que como um Pai nunca nos abandona ( Rom 8, 39 ).

Nesses momentos, a sua presença, imperceptível ao leviano, confortará. Muitas vezes, sem palavras, ele troca o desespero pela esperança, e da tormenta faz a calma ( Lc 8, 22- 25 ).

"Quando não houver explicações para o punhal que lacera o coração..
Quando as incertezas e as dores baterem nossa porta nas noites escuras da alma...
Restará a certeza de que aquele que venceu a dor e a morte...
É um amigo mais achegado que um irmão".




Deus nos ama e nos quer Bem, mesmo sabendo que o nosso coração hospeda maldade. Embora conheça nossas misérias, Ele nos trata como filhos amados. Assim posso admitir minha fraqueza, pois saberei que por Ele, serei sempre bem tratado.

“È por isso que Deus deseja que encaremos a nossa própria realidade,
que enfrentemos a doença e falemos de nossas carências.
Pois o caminho que nos leva a Deus começa com um olhar introspectivo.”

E que assim se cumpra entre nós....

Não te deixes abater.
Nem tudo terminou.
Não te sintas só.
Ainda creio em ti.

Não desanimes.
Serei tua fortaleza.
A vergonha do teu passado.
Já removi.

A promessa para teu futuro
Excelente é.
A corrida ainda não terminou.
Tu hás de vencer.

Confia em mim.
Confia em mim.
Cumprirei o meu propósito. Triunfante serás.
Confia em mim. Mais do que em Ti.


Para o aprofundamento deste tema,
indico a leitura do Livro:
"Quando coisas ruins acontecem às pessoas boas."
Do autor Rabino Harold Kushner.
1985.


Frei Eduardo F. Melo.
13 de outubro- 2009.
Salamaleiko.

sábado, 10 de outubro de 2009

COMO DEUS É?


"Ele é a imagem do Deus invisível,
O primogênito de toda criação ".
(Cl 1,15)

Confesso que explicar Deus para as pessoas sempre foi um desafio para mim. Confesso também que na adolescência tinha uma dificuldade enorme de me expressar de maneira correta.




Lendo um pouco de Filosofia pude perceber. Muitas culturas forjaram idéias sobre Deus. Os babilônios, os Egípcios, os persas, os gregos e os romanos, nutriam conceitos sobre a divindade que lhes auxiliavam na dura construção de suas culturas. Contudo não passavam de abstrações, meras especulações que tentavam definir o perfil do caráter de Deus.

Lembro-me que certa vez fui convidado para dar uma aula, ou fazer uma exposição sobre espiritualidade cristã para uma turma de ensino médio de um colégio público da minha cidade. Eu morava em Petrópolis e na época, fui recebido com certa alegria por alguns alunos daquela escola. Eram meus amigos e esperavam um bom discurso. Logo que terminei uma exposição, uma aluna desconhecida e de aparência exótica fez meio-me a pergunta seguinte:

- Frei, Por Deus um sendo um Pai de bondade, prefere o silêncio para melhor se manifestar, e para melhor ser amado e compreendido, ainda precisa ser explicado pelas pessoas?
Senti-me totalmente frustrado naquele dia. Pude entender que minhas palavras e meus conhecimentos Teológicos não foram suficientes para convencer aquela adolescente. Soberbamente pensei que daria conta de explicar-lhes o mistério de Deus. Tolice bobagem da minha cabeça e juvenil ...

Hoje, estou convencido de que só é possível crer
Quando somos Capazes de dar um salto na fé.

Precisávamos que Deus viesse até nós, que Ele se tornasse palpável para nos abrir uma janela de compreensão mais plausível. Que o conceito se tornasse carne e víssemos com os nossos próprios olhos uma realidade divina. Por isso, o evangelista João sabiamente escreveu para os gregos de seu tempo:

"E o Verbo se fez carne e habitou entre nós e vimos uma sua glória como do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade"
(JO 1, 14).

A maior notícia que o cristianismo trouxe à humanidade é a de que Deus é identico a Jesus Cristo e que Ele nos quer bem. Quando precisamos entender o amor de Deus, devemos olhar para Jesus cuidando dos excluídos e dos Doentes (Lc 13, 10-17)

Quando precisamos equacionar justiça e misericórdia, devemos olhar para Jesus perdoando uma mulher apanhada no próprio ato do Adultério (Lc 7, 36-50).

Quando precisamos entender sobre Vida Eterna, devemos ouvir Jesus afirmando ao ladrão na cruz: "Hoje estarás comigo no paraíso"
(Lc 23, 43).


Deus percebeu que as definições filosóficas e religiosas sobre a divindade eram insignificantes. Carecíamos de colo, abraço, afeto, carinho e afirmação. Por isso Ele enviou Seu Filho para que, nas madrugadas escuras das noites existenciais, saibamos que o seu amor é real e não apenas uma divagação de palavras soltas ao vento.

E que assim creiamos em Deus. Ele sabe de nós ...

Frei Eduardo F. Melo
Texto Antigo - 2 º ano de Teologia.
Petrópolis - 2004.
5 anos atrás.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

ESPIRITUALIDADE DE RAÍZES

* * * * * * * * * * * *



Espiritualidade de Raízes
Em busca de uma nova Humanidade!

(Um texto do escritor Ed René Kivitiz.
Minha Leitura nesta tarde chuvosa de Santa Teresa)


Entre os humanos não existem nem monstros nem santos. Todos, absolutamente todos, convivem com suas luzes e sombras. Nenhum herói abraçou totalmente o bem e nenhum vilão encarnou a totalidade do mal.

Viver não Consiste Desafio de Alargar furos sem coração, para que Réstias Iluminem luz de uma alma. Quem quer viver precisa se tornar Caçador dos demônios que se multiplicam nas trevas do espírito.

Toda pessoa DEVE se candidatar  a ser lanterneiro na Ilha Deserta chamada vida. Só se credencia um Crescer em humanidade e a morar no céu, quem, na terra, se aprimora em esmerilhar o seu Ser Humano.

Para aprender a talhar sua humanidade, homens e mulheres PRECISAM sobreviver à perversidade crua que afoga o mundo.
Os cínicos lida da desistem.
Os pessimistas ajudam a empurrar a história para o abismo do desespero.
E os novos fundamentalistas Tentam fazer nascer, na base da força, um mundo fechado a partir de sua verdade exclusiva.



Somos feitos de luzes e sombras, medos e desejos, Desesperos e sonhos.
Só existe aflição porque um universo de complexidades habita dentro de nós.

"A possibilidade de ser feliz se equilibra na corda bamba que sustenta, ao mesmo tempo, Desalento e esperança."

Para se Tornar humano, todos necessitam Reconhecer sua Limitação, pois na verdade só existe comunidade verdadeira na contribuição dos Povos.

Cada indivíduo é um universo e suas infinitas relações sociais,.
Tanto o bem como o mal velozmente se transformam.
A tarefa de joeirar virtude e vício é complexa.
Não há códigos suficientes para abarcar todas as nuanças da vida.



"Só cresce em humanidade, quem se abre para uma tolerância inclusiva. Amadurecer Viver é na arte do diálogo. Só caminha na senda do amor, quem reconhece a imagem de Deus no próximo".

Os que almejam humanidade farão escolhas Responsáveis, Porque só eles distinguem que o futuro nasce Daquilo que se planta no presente.
Só germinará fraternidade ou qualquer Possibilidade de paz, se a justiça e a verdade forem semeadas.

As máquinas de guerra precisam ser desmontadas para que um dia o arado substitua a espada e o cordeiro se disponha a pastar com o leão.

Quem busca humanidade, luta para que uma indústria da morte vá a falência. Eles desacreditam que nenhum progresso que nasce da ganância, do consumismo, do individualismo e da soberba pode se sustentar.
Crescer em humanidade, significa admitir que a soberba se esfarinha pelos sua própria força.

Os verdadeiros humanos não desdenham do tempo que arrasta tudo e todos ao pó. Só há solidez naquilo que não se vê. Porque o essencial é invisível aos olhos.

Aceitemos nossa pequenez.
Vivamos intensamente nossos relacionamentos.
Acolhamos o próximo com as suas imperfeições, dores e esperanças.
Contemplemos nossa história como um desafio de aprimoramento.
Defendamos O Direito.
Demos a mão ao pobre. Aguardemos!
Breve, brilhará o sol da justiça, trazendo cura sob suas asas.
Essa é a questão.




Ed René Kivitz.
"Outra Espiritualidade"
Editora Mundo Cristão
2008.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

NEUROSES, PARADOXOS LITERÁRIOS E PSIQUIATRIA.



"... A loucura, objeto de meus estudos, era até agora uma ilha Perdida no oceano da razão. Começo a suspeitar que seja, de fato, um continente".

Machado de Assis "O Alienista"

Tenho Lido semanalmente os artigos da revista Psique Ciência e Vida. Confesso com alegria no coração o quanto a leitura desses textos Têm-me ajudado a crescer em solidariedade para com os pacientes psiquiátricos.

A cinco anos atrás decidi investir meu tempo vago na pesquisa sobre os transtornos da Psiquiatria Clínica. Cada página que leio, cada artigo que devoro, cada tem site que visito auxiliado pouco o meu e vago conhecimento a respeito da mente humana. O melhor deles, abosluta com certeza, e aqui cito recomendo a leitura:



Dentre os transtornos registrados não Manual das Doenças Mentais, o que mais me inquieta e chama atenção é a ESQUIZOFRENIA, Aliada ao Transtorno Delirante de Perseguição.

A esquizofrenia é uma doença cerebral crónica, grave e debilitante.



Os Doentes esquizofrénicos sofrem, freqüentemente, de sintomas assustadores e bizarros - ouvem vozes não ouvidas pelos outros, que acham que outras pessoas Têm o poder de ler sua mente e que controlam os seus pensamentos e tem a força de os prejudicar. Tais sintomas deixam o paciente assustado e retraído.



Na esquizofrenia o discurso eo comportamento do paciente pode ser de tal maneira confusos que se Tornam incompreensíveis e ameaçadores para os outros. A doença causa um tal sofrimento que uma sensação de estar sendo perseguido pode Tornar o paciente agressivo e desconfiado de todos, da vida real e do mundo.

Assim, posso afirmar que Milhares Vivem de pessoas neste mundo com algemas invisíveis. Sem delito que os condenem, não conseguem inimigos imaginários Enfrentar. Tornaram-se Prisioneiros de seus corações Próprios.



(Recomendo com insistencia aqui o filme "Uma Mente Brilhante". Ele retrata a história de um famoso matemático americano que sofre de esquizofrenia e sente-se perseguido por inimigos imaginários).

Paralelamente à minha curiosidade sobre uma esquizofrenia, decidi pesquisar sobre uma data de surgimento do primeiro hospital especializado nenhum tratamento psiquiátrico no Brasil.

Para início de conversa, em 18 de julho de 1841, foi assinado o decreto de fundação do primeiro hospício brasileiro, denominado Hospício Pedro II, em homenagem ao príncipe regente que nesse mesmo dia foi sagrado e coroado como Imperador do Brasil.

Em 1852, na Praia Vermelha, no Rio de Janeiro, em uma chácara afastada do centro da cidade, foram Inaugurados o hospício ea magnífica estátua em mármore de Carrara do Imperador. Um aparato cerimonial marcou uma solenidade, que se Transformou em importante acontecimento nenhum cenário social e político da época. O edificio ficou conhecido mundialmente como "Palácio dos Loucos".



"... Um Amplidão dos espaços, a disciplina, o rigor moral, Supervisionados os passeios, uma separação por classes sociais e diagnósticos, ea constante vigilância do alienado, materializada arquitetonicamente como um panóptico (torre em forma de anel com um vigia), REPRESENTAM O Nascedouro da psiquiatria no Brasil. "



Lembro-me que certa vez fui visitar o Hospital Philipe Pinel em Botafogo, no Rio de Janeiro. Eram mais ou menos 25 pacientes internados naquele dia recebendo apoio psicológico clínico. Ao entrar no corredor que dava para uma sala do Médico de plantão, fui ABORDADO Por um portador de doença psiquiátrica que me abordou gritando:

- Você também é louco? Já começou a tomar "o remédio"?

Imediatamente respondi que não, que estava ali apenas para uma visita e que acreditava no poder curativo do tratamento. Lembrei-me da frase do famoso Psiquiatra Esquirol (1940):

"No hospício o que cura é o próprio hospício. Por sua estrutura e funcionamento, ele DEVE ser um operador de transformações dos indivíduos. "



No ano de 1996 ingressei Naqueles famosos cursos de férias da Faculdade Estácio de Sá no Rio de Janeiro. Versava sobre a disciplina Psicologia Jurídica. A aula seria ministrada aquele dia pela Ivone Bezerra de Melo. Sua proposta era que fossemos visitar o Hospital Clínico da Colônia Juliano Moreira em Jacarepaguá. Lá, o mundo que vimos mostrava tristeza e solidão, morbidez e loucura, abandono e em angustia olhares estarrecidos, palco de uma realidade nunca antes contemplada por mim.



MALTRAPILHOS Doentes, feridas na pele, pacientes pelados jogados nos cantos, corações e almas desoladas Viviam um mundo deles só que era. Aquele hospital tinha Sido palco de uma das transformações mais importantes na clinica psiquiátrica do país. Por muito tempo, a Colônia Juliano Moreira foi referência nacional em Atenção à Saúde Mental. Dos anos 20 aos 80, funcionava como destino final para pacientes Considerados irrecuperáveis. Na década de 60 chegou a abrigar cerca de 5,000 pessoas.


No início dos anos 80, após longo processo de deterioração, a Instituição iniciou uma transformação do seu modelo assistencial, em consonância com a Reforma Psiquiátrica que vinha acontecendo diversos PAISES EM. Foram abolidos o eletro-choque, como lobotomias eo abuso de neurolépticos.

Novas internações de longa permanência Deixaram de ser aceitas e assistência a novos pacientes em crise passou um ser feita pelo Hospital Jurandyr Manfredini, especialmente criado para este fim. Ali tinha Sido uma morada do Velho Artur Bispo do Rosário, o famoso artista plástico do Rio de Janeiro. Ele deu idéia A Fundação de uma das mais fantásticas obras humanas, o Museu de Arte do Inconsciente Moderno.



No estudo da esquizofrenia aprendi que os portadores da doença Vivem dentro de cercas que eles construíram Próprios. Sem saber, aceitam o grito imaginário de um general que nunca nasceu, apavoram-se com um rugir de leões empalhados. Temem o veneno de cobras mortas.



"É como se o Esquizofrênico, tivesse em sua mente uma transmissão em todos os 125 canais de uma TV por assinatura passando na tela sem Simultaneamente o controle remoto na mão"


Para eles, é como se um estado de espírito negativo fosse uma realidade cruel que mais uma Possibilidade própria do Fracasso. Um pessimismo mental determina a priori, que permanecera o futuro nebuloso. Eles só pensam na inevitabilidade do impossível, na Improbabilidade realizar o de que é difícil e na inviabilidade de seus sonhos.



"... Assim é a vida para eles. Não há saída para um mundo onde uma pessoa se sente tão deslocada, tão sem rumo e sem vontade de viver. Assim Vivem Alguns. Doentes Mesmo sem estarem, conheço muitas pessoas que já perderam o Elà Pela Vida ".

Se queremos encarar a vida como ela é, não nos podemos esconder. Diz uma teoria psicanalítica, que na raiz do medo não descansa em si o temor do outro. O maior medo não é aquele que temos de nosso inimigo, mas o "medo de nós mesmos" quando estamos diante deles, porque eles têm só o poder de tirar o nosso chão e nos fazer desacreditar na gratuidade da vida e do tempo.

Coragem é não Aquietar-se.
Fortaleza é encarar e aceitar a vida como ela é!



Agora estou convencido de que o mundo pertence Aqueles que aceitam arriscar sua própria vida para atingirem os seus ideais. Esses formam uma grande comunidade da qual o mundo não é digno. (Hb 11, 38).

Salamaleiko.
Frei Eduardo F. Melo
7 de outubro de 2009.

sábado, 3 de outubro de 2009

São Francisco de Assis - mestre da pobreza, da humildade e da paz.

     
Lá vai são Francisco pelo caminho.... 
                               


Meu são Francisco dos cachorros perdidos...
Dos andarilhos machucados..
Dos peregrinos sem água...
Dos batuqueiros da esquina...
Dos pobres de rua sem cobertor...
Dos sem terra e dos sem teto...
Dos bebos lascados...
Meu São Francisco do Cristo sofredor...
Reza por nós que pelejamos a vós...

Celebramos em toda a Igreja hoje (dia 4 de outubro) a festa do nosso seráfico pai, São Francisco de Assis. Coisa mais linda é pertencer a esta família!!

Recordo feliz o tempo do ínício de minha conversão na Igreja, quando meu querido amigo Bruno me emprestou aquele pequeno livrinho azul sobre a vida de São Francisco. Era o ano de 1994. Quanta alegria, minha vida era só contentamento.

Voltei à fé aos 15 anos, e assim como no livro da escritora nordestina Raquel de Queiroz, depois daquele "QUINZE", confesso: a seca aridez que tocava meu coração deu lugar à uma água viva que nunca mais parou de jorrar em minha fonte. 

Hoje rendo o meu agradecimento ao santo que me fez enxergar o mundo e a vida de formas diferentes.

Hoje faço memória dos Franciscanos que cortam as estradas do mundo enfrentando missões nos mais amplos espaços do planeta.
Dos missionários capuchinhos que dão seu sangue em Angola.
Dos Frades peregrinos e ambulantes que semeiam a paz no interior do Nordeste do nosso Brasil.
Dos missionários Franciscanos da Provincia de Madasgascar, na pessoa do meu querido padre Frei Francesco (que durante 20 anos, oriundo da província de Messina na Itália, dedicou sua vida e seu suor aos irmãos daquela igreja particular).  



Dos Franciscanos e Franciscanas que juntaram-se para representar a MISSÃO FRANCISCANA DE PAZ na ONU. Atualmente, eles possuem o “status” de uma organização não-governamental, chamada “Franciscans International” que com inteligência  e sagacidade monumental tem representado a Ordem nas mais diversas frentes ativistas na busca pela paz e pela igualdade de direitos junto aos mais pobres e sofredores deste mundo.



Dos Franciscanos da Provincia da Imaculada Conceição, que em Petrópolis iniciaram uma das maiores Editoras católicas do país, a Editora Vozes, bem como a responsabilidade pela construção e manutenção do maior instituto de Teologia do Brasil, o ITF, no qual passeis meus 4 anos da gradução teológica. Aos irmãos do Instituto o meu agradecimento pela excelência no ensino e por todo apoio que recebi custeando meus cursos e viagens enquanto estive nesta Instituição.



Faço memória dos irmãos Franciscanos da Província do Amazonas, em especial os missionários que cortam o rio Amazonas e de barco fazem o trajeto em 10 dias, da capital Manaus até São Gabriel da Cachoeira (no fim do estado). Frei Celso e Frei José, amigos de caminhada, parabéns pelo zelo incansavel e pelo o ardor missionário que não os acomoda nas grandes estruturas do tempo. 

Lá os freis procuram estar nos lugares mais afastados, como em áreas de fronteira, e atendendo às populações mais pobres do Amazonas, como as ribeirinhas e os índios. Simplicidade, proximidade do povo e rotina de oração são os pilares da nossa ordem naquelas bandas.



Dos irmãos da Toca de assis, incansaveis no serviço aos mais pobres, no amor à Eucaristia e na devoção aos santos de nossa Ordem. Ao padre Roberto, à irmã Mariana e a tantos irmãos e irmãs que sentindo a inspiração divina, seguiram e ainda seguem mais de perto os passos de São Francisco de Assis: pobre, humilde, casto e obediente.

Faço Memória dos irmãos que iniciaram a missão Capuchinha na Finlândia e na Groelândia cinco anos passados. Estive lendo na Publicação Internacional da Ordem (Analecta Ordinis) tempos atrás, que os frades estavam investindo sériamente na missão ad gentes naquele país, terra do frio, lugar em que por seis meses do ano é "puro sol", e nos outros seis meses "pura noite". Salamaleiko aos irmãos que estão desbravando a terra do velho Gandolf do Filme Senhor dos Anéis. 



Parabéns aos irmãos de todas as Familias Franciscanas do páis, em especial à UMF (União Missionária Franciscana) que é um movimento eclesial, para ajudar a conhecer, a amar o apostolado missionário e auxiliar os Missionários Fransciscanos, sobretudo pela oração, promoção de vocações missionárias, apoio moral e material.



Aos irmãos missionários capuchinhos que abraçaram a missão no estado de Roraima. Aos freis que decidiram a partir quais peregrinos para aquelas terras, e sem medir esforços e o preço da própria vida, apóiam os indíginas da Reserva Raposa Serra do Sol em sua luta contra os madereiros  e produtores de arroz que lutam pelas terras já demarcadas como reservas indígenas. Pela coragem imensa, pelo ardor missionário que transforma acomodação em angústia vital, a nossa luta e o nosso brado de salamaleiko. 



Aos Frades envolvidos na Comissão Pastoral da Terra (CPT - nacional) que enfrentam perseguições da parte dos grandes produtores rurais e madeireiros na Região Norte do país. Pela força de resistencia, pelo sangue dos mártires da caminhada, pelo encanto à causa dos mais pobres, esses irmãos nos ensinam que a história e a dura realidade dos sem terra é muito mais sofrida do que o nosso pequeno mundinho pode revelar.



Quero aqui mandar o meu abraço para a minha querida Irmã  Ana Cristina, missionária Franciscana de corpo e de alma, amiga dos tempos de Teologia em Petrópolis, que deixou a riqueza de sua familia, a tranquilidade e o "bem bom" da sua casa em Cruzeiro-São Paulo e se embrenhou pelas estradas conturbadas, empoeiradas e perigosas do Timor Leste.

Enfim, te agradeço meu São Francisco porque se não fosse teu amor, tua coragem e tua busca em fazer a vontade do Senhor, nós não teríamos a família que somos hoje, espalhada por todos os cantos deste planeta. Salamaleiko meu pai !!!

Termino com a frase do texto do Teólogo Rabino Abrhaan Joschua Heschel:

"...Com São Francisco, aceitemos nossa pequenez. Vivamos intensamente nossos relacionamentos. Acolhamos o próximo com suas imperfeições, dores e esperanças. Contemplemos nossa história como um desafio de aprimoramento.
Defendamos o direito.
Demos a mão ao pobre. Aguardemos!
Breve, brilhará o sol da justiça, trazendo cura sob suas asas."




Salamaleiko.
Frei Eduardo F. Melo.
4 de outubro de 2009.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

BIBLIA, SKATE E DISCIPLINA LITERÁRIA.

*  *  *  *  *  *  *  *  *

TEORIAS DE UMA RELATIVIDADE SIMBÓLICA:

São Jerônimo, Bob Burnquist e Raymond Brow.

Escritos Aprócrifos, distrações hermenêuticas em fim de tarde,
metáforas em dias de chuva e esportes radicais.

 

"Foi a procura pela verdade que me ensinou a beleza dos compromissos"

Amo o Skate.
Amo a Bíblia.
Amo a disciplina dos escritores da minha geração literária.

A partir desses 3 temas, decidi escolher três pessoas que são um marco referencial em minha abordagem hoje.Três realidades distintas, complexas e extremamente difusas entre si na sua expressão, na sua espécie e na repercussão de suas obras, que, a meu ver, possuem uma semelhante relatividade simbólica.

Qual a relação que se poderia estabelecer entre o famoso Tradutor Sacro São Jerônimo, o renomado Skatista brasileiro Bob Bunrquist, e ainda o Célebre escritor e biblista americano Raymond Brown?

Coisa Fácil. Antes de mais nada, preciso explicar o “porquê dessa minha admiração” pelos três personagens citados, caso contrário, ficará difícil para o leitor amigo entender o motivo que me fez encontrar neles inspiração para esta história.


POSIÇÃO DE HONRA: SÃO JERÔNIMO - 42 ANOS TRADUZINDO A BÍBLIA.

Cito São Jerônimo porque amo a Bíblia, e sei que seu arcabouço teológico só chegou até a nossa geração porque um homem estranho foi capaz de dedicar sua vida inteira na tradução dos Escritos Sagrados.

Celebramos hoje (dia 30/9) em toda a Igreja, o dia daquele que foi considerado na História, ao lado de Agostinho, o maior ícone da literatura clássica cristã. Nem tanto pela sua vasta obra literária, mas pelo incansável trabalho que teve para traduzir dos originais grego e hebraico a Sagrada Escritura para o Latim. A tarefa durou 42 anos.

Imagine a extensão de sua obra (colocar em paralelo de três colunas todas as páginas das Escrituras - em três línguas diversas - latim, grego e hebraico), sem contar as dificuldades com a arte da escrita, a limitação dos meios necessários (falta de luz elétrica, tinta, pena, mesa, papiros enormes), onde cada sílaba custava em torno de 1 minuto para ser redigida ou desenhada...

Jerônimo representa aquilo que o autor da carta aos Hebreus quis exemplificar:

"Pessoas dentre as quais o mundo não era digno" (Hb 11).


SEGUNDO ROUND - BOB BURNQUIST: UM SKATE HUMANO!

Olhando para a conquista do Bob último domingo pela manhã em São Paulo, lembro-me com saudade dos tempos em que estava aprendendo a andar de Skate. Saudades da galera alternativa do Mutuá. Das tardes no centro de Niterói, do ambiente underground na casa de shows S8. Ah se eu pudesse voltar no tempo!!!

Com a vitória do Bob no último fim de semana pudemos vislumbrar um representante de nossa geração que agora reina absoluto num espaço que antes era domínio dos americanos. Do It Yourself ! FAÇA VOCE MESMO.

Viva nossa Raça!! Bob é um dos primeiros skatistas que ousaram desafiar os 105 metros de extensão e os 27 metros de altura da MEGA-RAMPA que a Oi montou no sambódromo de São Paulo. Com seu destemor anárquico, Bob mostrou mais uma vez sua coragem e seu sonho de voar mais alto.

Ele, assim como Jerônimo, ensinam duas verdades que considero hoje essenciais em minha vida:

“Que o segredo da Felicidade é doar a vida por uma causa."

“E que o amor por uma coisa sempre forja especialistas, sempre cria excelência. As pessoas tornam-se corajosas devido ao afeto. Encaram tempestades, sobem montanhas, enfrentam os ventos, só por causa do amor."


FIM DE LINHA - Raymond Brown – UM MESTRE E SUA BÍBLIA.

Brown foi nomeado como Representante máximo da Pontifícia Comissão Bíblica do Vaticano (1972-1996). Foi o distinto professor de Estudos Bíblicos da maior Universidade Protestante de Nova York onde lecionou de 1971-1990. Foi presidente da Confederação Bíblica Católica, da Society of Biblical Literature e da Sociedade de Estudos no Novo Testamento (1976-97).



Sacerdote na diocese de Baltimor Nos Eua, foi considerado como um dos mais proeminentes estudiosos da Bíblia no mundo, sendo premiado com 24 teses de doutorado, lecionando em diversas universidades no E.U.A. e na Europa. Veio a falecer no ano de 1998 e seu legado se estende sobre uma vasta história de amor e paixão pela Sacra Escritura.


Por causa do amor deste homem pela Biblia, tive a “graça sem preço” de visitar pela única vez possível no país a exposição PERGAMINHOS DO MAR MORTO.

O projeto trouxe ao Brasil uma exposição de artefatos arqueológicos encontrados por beduínos nas cavernas de Qumran, em Israel, em 1947. A principal atração da exposição foram fragmentos originais da Bíblia que datam de 650 a.C, a Bíblia mais antiga do mundo, com textos do Antigo Testamento.



Recordo com uma felicidade extrema, o dia em que, dentro daquele museu no Rio, tive a chance de ver em minha frente grande parte do texto original do livro do profeta Isaías.

Silencioso, atônito e cheio de reverência,  estive a frente com aquilo que para mim era a plena revelação da vontade do Eterno de minh’alma. Não era só o papel. O que me encantava era a capacidade que aquele texto tinha de expandir-se para além do tempo, da história, do vidro que o enquadrava e da minha turva visão. "

A presença daquele artefato historiográfico em minha frente era quase como um cataclisma circunstancial intra-histórico e atemporal.

“Paramnésia” era pouco para definir aquele dia. Mas isto só foi possível, porque pessoas como Raymund Brown, Frank Cruseman, Erick Zenger e tantos outros biblistas, dedicaram suas vidas inteiras na insandecida tarefa de nos aproximar do que há de mais belo nas Escrituras Sagradas.



Assim sinto-me próximo do legado conquistado por Jerônimo porque ele acreditou, e não temeu passar o resto de seus dias debruçado sobre a Biblia. Mesmo que a morte o levasse antes de terminar sua empreitada.

Admiro o Bob Burnquist porque só ele até hoje enfrentou e venceu o medo e ao mesmo tempo o amor que tenho pelas alturas.
Amo o desafio da próxima estrada...

Admiro a coragem dos que saltam de para-pente...
A altivez dos loucos que pulam de asa delta...
A sagacidade dos skatistas que se lascam no chão em tombos espetaculares...
A poesia dos surfistas que dançam sobre o mar e vêem o mundo “de dentro das ondas”...

A paz no olhar dos andarilhos que percorrem kilômetros de estradas por esse Brasil afora com seus chinelos cortados...
A paciência dos escritores que varam noites de sono enfurnados na tarefa de pesquisar e decifrar o "detalhe" que ainda não foi achado...
A incansável solidez dos biblistas que deitam suas vidas sobre as Escrituras por anos inteiros....
A timidez dos poetas que andam a pensar pelas ruas vazias das cidades no domingo á tarde, parecendo crianças a soletrar versos soltos.

Por isso, e só por isso hoje: insisto em não desistir.
Não sei explicar a força que me assalta.
Sem noção, retomo à minha sina, minha vocação e ao meu pensar.
A convicção de simplesmente resistir é meu vício.
Ressinto o preço de aceitar ser parceiro do padecer humano, mas não resisto ao aceno celeste. Ele me comunica sempre palavras eternas.

O Agora e o infinito. É isso o que interessa. Na chuva que cai sobre a janela de meu quarto
Meu olhar se aquieta.
Salamaleiko.
30 de setembro- 2009
Frei Eduardo F. Melo.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

TRILHANDO OUTROS CAMINHOS....


CONGRESSO DE HISTÓRIA DAS RELIGIÕES 
PUC - SÃO PAULO



Aconteceu no mês passado (agosto de 2009) na Puc-SP o tão esperado Congresso sobre História das Religiões capitaneado pelo famoso professor Italiano Nicola Maria Gasbarro, mestre na cadeira de Ciencias Religiosas da Universidade de Udine na Itália.

Tive vontade de ir, mas não foi possível....pensa que vida de frei é fácil? Hã!!

Apoiado em temas já desenvolvidos pelos teóricos da área da Sociologia da Religião, este autor nos brindou certa vez com uma palestra fantástica no Forum Mundial Internacional das religiões, acontecido em Porto Alegre no ano de 2005 em que tive a chance de participar. Foi uma festa. Nas tendas o que víamos era a expresão máxima de um Ecumenismo posivel. Éramos em torno de 5000 participantes oriundos de todas partes do mundo.

Na época, lembro que, depois da marcha pela capital em nome da paz e do respeito ético entre as religiões mundiais, escrevemos uma carta, Assinada em especial pelo Bispo Africano Desmon Tutu que seria endereçada a todos os grandes líderes do Planeta, sonho este que nunca aconteceu...rrss..

Lembro-me que na época em que estava escrevendo minha Tese Teológica sobre o Fenômeno das Igrejas Neopentecostais no Brasil, li um artigo deste autor que faço questão de agora publicar neste blog. Ele estava guardadinho nos meus "arquivos secretos" e como estou numa luta danada para escrever sobre novos temas, aproveito a deixa pra mandar um abraço aos amigos leitores e leitoras que têm visitado este blog.
Salamaleiko.
abraço a todos.


CONSELHOS PARA OS LIDERES RELIGIOSOS DO SÉCULO XXI.

Algumas mudanças precisam acontecer urgentemente entre as religiões mundiais.

Que os lideres religisosos dediquem mais tempo lendo, decorando e declamando poesia...
Que contemplem mais o pôr do sol, tomem água de côco, ouçam os pássaros e conversem com as árvores mais do que desejam ser mestres de juizo sobre o "certo e o errado".
Que estes líderes, para prevenir preconceitos, amem literatura de diversos autores. Assim, poderão saborear beleza sem distinguir entre ateus e crentes, devassos e santos.
Que teólogos se especializem na "ciência do afago". (carinhologia)
Que solidariedade seja a melhor prece, e o exemplo, o maior sermão.

Que as religiões se concentrem na vida aqui no mundo...
Que busquem aliviar os cansados e oprimidos antes de prometerem salvação eterna.
Que visitem os doentes, antes de tentarem decodificar os mistérios da Divindade.
Que defendam o direito do pobre, do órfão e da viúva antes de se arvorarem únicos detentores da verdade.
Que aprendam a zelar pela vida e desprezem as taxas de crescimento de suas instituições.
Que a mão esquerda desconheça as virtudes praticadas pela direita e não usem a bondade como proselitismo.
Que Deus seja percebido no rosto do próximo e não em livros, compêndios, altares ou imagens.



Que os líderes eclesiásticos voltem a caminhar na beira da praia...
Que façam estágio na casa de um pescador artesanal.
Que acordem cedo, sintam o aroma do café pretinho e do pão da padaria.
Que naveguem todo o dia e na boquinha da noite voltem para casa exaustos.
Que suas mãos calejadas lhes ensinem a manter o coração sensível.
Que o corpo doído lhes amorteça a ganância.
Que se deitem felizes numa rede, e embalados pela bruma, voltem a soletrar a palavra con-ten-ta-men-to.

Que as liturgias dos templos imitem as brincadeiras infantis...
onde ninguém é dono de nada, nenhum projeto definitivo, e não se separam as pessoas entre líderes e liderados. já que o Reino de Deus não é dos adultos, mas dos pequeninos desprovidos de amarguras.

Que os ritos busquem devolver a humanidade aos jardins-de-infância e que assim se exalte o bom coração...
Que os bancos das igrejas sejam transformados em gangorras e balanços para todos brincarem.
Que o culto vire festa parecida com casamento de italiano, com muito vinho, coração alegre, dança, e sem hora para terminar.

Devo estar delirando, mas entre alucinar bobagens e permitir que a realidade se transforme em pesadelo, prefiro continuar um sonhador.








28 de setembro - 2009.

sábado, 26 de setembro de 2009

EVERY MOMENT IS SACRED

CARPE DIEN
(Todo instante é Sagrado)



Hoje acordei com uma frase tão linda em meu coração ...

"Eu te conheci no deserto, numa terra muito seca".
Oséias 13:5

O tema da solidão sempre foi uma constante em minhas leituras. Agora com um Aberta Possibilidade de escrever com frequencia neste espaço alternativo, dedico mais tempo a ela ainda, parceira de minhas atividades literárias e noites.

Se não me engano, foi o filósofo do Inconsciente Jaques Lacan Afirmou que:

"Somos feitos de luzes e sombras, medos e desejos, Desesperos e sonhos. Só existe um universo de complexidades porque habita dentro de nós a aflição. Contudo, a Possibilidade de ser feliz se equilibra na corda bamba que sustenta, ao mesmo tempo, Desalento e Esperança ". 

Hoje mais do que nunca, creio: Seu pensamento está correto. Creio que para crescer em humanidade temos um preço alto a pagar. Sim, a sabedoria cobra caro por suas lições. E na vida da escola, poucos são os aprovados e excelência com nota "10".

Diante de algumas questões surgidas nesta semana em meu coração ... coloquei-me perguntar uma:

Deus existe?
A vida tem um sentido?
O Universo tem uma cara?
A morte é minha sina?

A estas perguntas a alma religiosa só pode responder: - Não sei!
Mas rejeito ardedentemente que não seja assim, que minha vida não tenha sentido, que não tenha rumo e que eu não seja feliz.

Concordo que a vida já perdeu seu valor para muitos, porque, ao correrem atrás do sucesso, esvaziaram o sentido da Existência e detonaram com sua alma.

Alguns que esqueceram Viver é ousar sair para os arredores de si mesmo e solidarizar-se com o próximo, tornando-se vizinho da alegria e da dor.

É saber que não há escolhas seguras e todas as Decisões se ramificam num emaranhado de conseqüências incalculáveis.

"Saber viver é perder sem chorar uma esperança diante do desastre colossal em que se Tornou a humanidade e celebrar a vida com toda a profundidade sua ..."

Assim me lanço inteiro na expedição de vivê-la bem, e ainda que digam o contrário ...
Acreditarei sempre .. o melhor ainda está por vir ...
Por causa da utopia que não morre, aceito que meus sonhos adolescentes ainda reinam em mim.
Assim afirmo: Hei de vencer. Porque ...

"... É mais belo o risco de viver uma vida ao lado da Esperança,
Que vivê-la ao lado de um universo frio e sem sentido ... "



Hoje quero o sorriso da criança meiga a me abraçar.
Hoje quero a leveza de alma que me faça acreditar na pureza do coração.
Anseio por bondade, sustentáculo da vida.
Hoje quero estar em paz com Deus meu, Meu Senhor e pai.
A quem amo tanto ... tanto .. tanto .. tanto.
Salamaleiko.
Frei Eduardo F. Melo
26 de setembro de 2009.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

DE MONTIBUS ALTIS CADULT UMBRAE PATHOS MATHOS

"As sombras caem dos altos montes.
O sofrimento é escola da alma..."



Deus ouve o nosso gemido...

A cena ainda permanece em minha cabeça...
No calendário pregado na parede marcava: 16 de agosto de 2009.

Venho acompanhando pacientes no hospital público de minha cidade. Como não poderia deixar de ser, um sentimento de compaixão vem tomando meu coração antes e depois de cada visita realizada. Quero aprender sobre Humanidade, por isso esrevo o que vi.

Com o grito da dor aprendo que a vida é fugaz...
Que a cura é uma necessidade humana universal...
E que é bom estar ao lado de quem vê a vida através da janela de um quarto de hospital.

Não quero aqui delinear um pensamento apoiado nas "desgraças" alheias. Essa não é minha intenção. Desejo apenas expressar minha gratidão aos que sem saber, fazem da dor o “adubo de minha humanidade em expansão”.

No alto daquele monte ele agonizava no leito isolado da UTI daquele hospital. Seu nome não poderá ser revelado (por respeito ao seu quadro clínico, o chamarei de Arnoldo).

Sua aparência era a de um homem martirizado pela cruz.

No prontuário pregado na parede, seu diagnóstico: 
Gripe a1 n1 (também chamada Gripe suína). Na porta de entrada do hospital fui surpreendido pela sua mulher que pranteava em desespero. Seu choro agúdo retinia pelos corredores como um grito sem esperança. O sol se punha para aquela família, justamente no dia em que mais precisavam de luz e calor.

"...Suas dúvidas lasceraram meu coração como uma serra elétrica que perfura e espalha sangue por todos os lados. Ninguém conseguia ficar inerte diante da cena. Ouviamos o grito de uma mulher desesperada com a falta de reação do seu amado, angustiada pela falta de expectactivas."

Os médicos revelavam um tom apreensivo com a possibilidade de novas contaminações no hospital. Ele era, sem saber, alvo de olhares e de tensões que se espalhavam nas rodas de conversa daquele epicentro hospitalar.

Na entrada do recinto, o que se via era a imagem de um ser martirizado. Sonolento e "despojado de suas vestes", dopado pelos sedantes daquela “alquimia farmacológica anti-letal”, seu rosto expressava um mórbido e taciturno olhar.

"Ele me pediu comunhão. De olhos baixos e com uma sonolência estranha, abençoei-o com o coração em lágrimas. Com as mãos cheias do óleo, ungi sua fronte como o personagem do salmo 22."

Mal podia tocar em seu rosto, tantas eram as roupas e paramentos que fui obrigado a usar para me “proteger” daquela epidemia maldita.

Sua cura era um projeto ainda distante, estrada que nenhum estudioso conseguira percorrer até então. Sua doença ainda não tinha indicações. Que dor! Sofrer de algo que não se conhece.



Desamparado pela medicina, um cristo padecente reluzia em minha frente sem a mínima expectativa de cura e salvação. Crucificado pelo sistema, desejei ser solidário com sua tristeza.

"...Como havia acontecido em dias recentes, senti meu coração amargar. Chorei como aquela criança na infância quando vê sua mãe ir embora na porta da escola. Lembrei-me de quando papai ficou internado naquele sujo hospital de São Gonçalo e chorava uma dor que machucava em mim."

Entendi que quando não podemos mais falar, quando a nossa dor é tão grande, mesmo assim não estamos sós. Deus ouve o nosso gemido.

Conforta-nos saber que nas horas em que não temos como articular um pensamento, uma frase ou um grito para o céu, naqueles momentos em que não sabemos expressar bem nossos sentimentos e nossas angustias, Ele está perto de nós. Ele nunca nos abandona.

"Sem perceber....eu era a mão estendida do cristo que descia da cruz para tocar nas chagas daquele outro cristo padecente que agonizava no “horto” de um hospital.

Minhas mãos eram como patenas que elevavam ao céu o corpo padecente do cristo que sofria na terra. E ele, como o Cristo que descia do céu, trazia-me do alto suas dores e chagas para me curar."

Mesmo quando não conseguimos expressar nossa dor, Ele ouve nosso gemido. Simplesmente porque Ele nos quer bem, e não espera de nós nada em troca que não possamos dar.

Ele curou os enfermos, quando estes foram abandonados pelos outros.
Ele morreu na cruz, quando todos festejavam a páscoa.
Ele assumiu a culpa, quando todos lavavam suas mãos na inocência.
Ele ressuscitou e venceu a morte, quando todos pensavam que ele estava derrotado.

Por isso repito com a escritora Simone Weil...

"...Creio no Sol, mesmo que ele não brilhe.
Creio no Amor, mesmo que ele esteja oculto..
Creio em Deus, mesmo que Ele esteja em silêncio..."

E mesmo que Ele não apareça na hora em que mais precisarmos...
Mesmo que Ele permaneça "aparentemente surdo" diante do grito do desespero, mesmo assim, eu creio: Ele agirá. Ele não tardará.
E enquanto pudermos, que sejamos a Sua mão estendida para o nosso próximo. Só assim, creio, Ele cumprirá sua sina em nós."

Essa é a questão.


Frei Eduardo F. Melo.
26 de setembro de 2009.
Salamaleiko.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

DESABAFOS SOBRE RELIGIOSIDADE.



Foi o papa paulo VI que na época do Concilio vaticano II, afirmou:

"Na gênese do ateísmo e da indiferença religiosa do mundo atual, não pouco colaboram aqueles cristãos que, descompromissados com a verdade e com o testemunho moral, mais escondem que revelam o rosto de Cristo Jesus ao mundo".

Uma religiosidade que não vale a pena.


É uma religiosidade que, uma vez aceita, não torna a pessoa melhor do que era...
É uma religiosidade onde se camuflam os erros do passado e aceita que o cumprimento da obrigação pode aliviar a consciência pesada...

É uma religiosidade que não desperta para a necessidade de continua conversão e renúncia da própria vontade, mas afirma que o importante é sentir-se bem...

É uma religiosidade que aliena, não levando o ser humano à libertação...

É uma religiosidade que valoriza a forma e a beleza da imagem, mas despreza o conteúdo do caráter...
É Uma religiosidade que privilegia o dar certo, e esquece que o mais importante é estar certo (diante de Deus)...

É uma religiosidade em que a pessoa vive como se Deus existisse, mas suas açoes revelam que Ele não existe...

É uma religiosidade que faz da fé um amuleto da sorte, não uma experiência de vida....

É uma religiosidade que mostra a técnica de como obter o favor de Deus, mas não leva a pessoa a ser mais generosa e solidária com quem passa fome...
É uma religiosidade que faz a pessoa enxergar Deus como um juiz sentado num tribunal, mas não revela a rosto de Deus no olhar de uma criança pobre ou de uma mãe jogada na calçada da amargura...


É uma religiosidade em que se aprende a dar ordens a Deus, mas não ensina a obediência que nasce do temor à Deus...
É uma religiosidade que ensina a busca desenfreada pela realização só de projetos pessoais, mas não leva a pessoa a lutar pela justiça junto daqueles que sofrem...
É uma religiosidade que se pratica ocasionalmente; mas não é uma filosofia de vida ou uma experiência concreta com a pessoa de Deus...


É uma religiosidade que não torna a pessoa mais humano(a) e solidário(a) com quem está precisando de visita e de oração...
É uma religiosidade que não faz você ter interesse na leitura da palavra daquele que pode te dar a vida, mas que te faz acreditar que pra se viver a fé basta um alguns (poucos) minutos de reza por dia...

Essa é a questão.
23 de setembro- 2009.
salamaleiko.
Frei Eduardo F. melo

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

EXCELÊNCIA E AMOR.

OMNIA VINCET AMOR
(O amor torna tudo tolerável e vence todas as coisas)



UMA HISTÓRIA SOBRE A EXCELÊNCIA E O AMOR...

Certo homem saiu para caçar na floresta. Tentou acertar vários animais, mas errava todos. Ruim de pontaria e mal sucedido na caça, voltava sempre triste para o lar.

A poucos metros da porta de casa, viu uma cobra enrolada no pescoço do filho caçula. Desesperado e atento, sem hesitar, debruçou-se sobre uma pedra, armou o arco e a flecha e olhando ao longe atirou na serpente. Acertou-lhe em cheio na cabeça e salvou a vida do filho.

Surge, então, a pergunta: “O que fez o pai para acertar a cabeça da serpente, se era um péssimo caçador, ruim de pontaria e inábil no arco e flecha?” Por que, de repente, o homem fez-se exímio atirador?

Alguém responde: “O amor”.

O amor sempre forja especialistas, sempre cria excelência. As pessoas tornam-se corajosas devido ao afeto. Encaram tempestades, sobem montanhas, enfrentam os ventos, só por causa do amor.

Quem ama não aceita a lógica do “de qualquer jeito”, aliás, detesta “jeitinhos”. Extravagante nos gestos, refina atitudes. Os amantes caminham milhas extras sem perceber, transformam as decisões banais em mandamentos divinos.

O esmero, o cuidado e a nescessidade do afeto nasce do amor.

Foi como disse Guimarães Rosa:

"...O amor é a gente querendo achar o que é da gente...
Porque pensar na pessoa que se ama, é como querer ficar à beira d'água, esperando que o riacho, alguma hora, calmo e sereno pare de correr e traga de volta, pra perto de nós, o que ficou no rio da saudade.

Do livro, o canto do pássaro.
Editora Loyola. 1996.
Frei Eduardo F. Melo
Shalom.
21 de setembro.

sábado, 19 de setembro de 2009

PATIENS QUIA AETERNUS VICERE


AHH...COMO É BOM TER SAUDADE...



PATIENS QUIA AETERNUS VICERE
(A paciência torna a vida saudável)

MINHA SAUDADE.

Depois de algum tempo, inspirado por autores de meu coração, decidi escrever sobre a saudade...

Tenho Saudade da minha infãncia..
eu queria voltar no tempo em que meu mundo era grande, e eu tão pequeno. Queria retornar aos dias em que segurava a mão estendida do papai. Queria estar mais próximo. Queria poder ouvi-lo cantar que eu posso encostar minha cabecinha no seu ombro e chorar. Como me machuca perceber que sua face envelhece com a distância e quase já não ouço sua voz rouca cantar...

“Conta logo tua mágoa toda para mim, pois do meu ombro eu juro que não vai embora,
que não vai embora, porque gosta de mim.
Amor eu  quero seu carinho, porque eu ando tão sozinho".

Tenho saudade dos sonhos inconsistentes de minha adolescência...
sem saber quem eu era, sentia poder conquistar reinos em lugares distantes e desconhecidos. Eu era um campeão para mim mesmo. Andarilho e pensador percorri muitas estradas, literalmente falando. Lembro que num só ano, andei algo em torno dos 600 km em três peregrinações distantes. Fora o que os passos da vida me exigiram andar...

Tenho saudade do Eduardo...
meu melhor amigo, que morreu afogado naquela praia de búzios. Era 29 de novembro de 2004. De lá pra cá, do mesmo jeito que na história, houve em mim um antes e um depois.

Tenho saudade da praia da “boa viagem”...
foi lá que tive minhas melhores manhãs de domingo na solidão, observando o movimento das ondas. Ali, como um menino a contemplar o alto-mar, bebi das fontes e das RAÍZES DE MINHA ALMA.



Tenho saudade de meus medos...
meus pavores de menino vinham do escuro, dos fantasmas que se escondiam atrás das portas, das estátuas que guardavam os túmulos, e das conversas cavernosas daquelas mulheres da Igreja relatando aparições de almas penadas. Tinha medo do padre da minha paróquia. Hoje temo algumas pessoas, os sistemas bélicos americanos, as potestades econômicas, os “generais invisíveis” que conspiram tramóias neuróticas, e o meu próximo tão inocente.

Tenho saudade de tanta coisa...
preciso lembrar o cheirinho de café da minha madrinha Odete em Minas, quero voltar aquela Casa, em que vovô Juca fazia xixi na cama todas as noites e que o meu padrinho Zézinho reclamava da vida com seu sotaque mineiro cerregado de austeridade e de um tom amável. Lá encontrei meu porto seguro, minha casa eterna, meu pomar, meu brilho e meu farol.

Tenho saudades do Jorge, do Paulo, do Isaú e das tardes de domingo em que íamos para o S8 nos shows de punk e grindcore lá na Trindade (em São Gonçalo, minha terra natal)...
Lá a negada “quebrava o pau”, todo mundo “pogueando”, a turma do skate fazendo piruletas no ar...as bandas tocando “um som da pesada” e ninguém brigava. Tomávamos nossos “guaranás” numa boa...éramos felizes e nos sentíamos irmãos lutando pela mesma causa...a causa da ANARQUIA. Sujeitos undergrounds pensavam um mundo diferente e possível longe do status quo da modernidade.

Tenho saudades das idas e vindas para aumentar minha coleção de discos...
Quantos sebos, quantas peregrinações pelo centro do rio, lugares undergrounds, galeria do rock em são Paulo freqüentei atrás de raridades em vinyl. Até hoje, das coisas que mais me orgulho, está minha coleção de bulachões. Já beira os 480 lps...todos catalogados e bem novinhos.

Tenho saudade do tempo em que comecei a trabalhar...
na sequência, a lista dos lugares: 13 anos (vendendo doce na barraquinha da vera no campo das guíndias nos fins de semana). 14 anos (abatedouro de galinha na esquina de minha rua). 15 anos (lixando e pintando geladeira na refrigeração do Dercy). 16 anos (loja de ração no centro do meu bairro e depois na oficina de carros do Orlando). 17 anos (trampando direto como oficce boy na clínica de olhos SG). Dali pra frente, entrei pra vida religiosa e cá estou.

Tenho saudade dos amigos que ainda estão vivos e distantes...
saudade de passar o restinho de tarde do sábado com os que me amam.
saudade de passar tempo átoa falando da vida...
saudade de abraçar e de receber carinho de quem é parte de minha alma.
voces sabem que falo de voces!



Tenho saudade de caminhar se pressa de chegar...
de distribuir folhetinho de propaganda na feira livre no domingo para comprar um suco de limão, brigar com meu irmão e mandar ele pedir penico (arrêgo) – nosso jeito de exigir rendição com o máximo de vergonha.

Tenho saudade do Osvaldo da Marilena...
meu melhor amigo de infância. Juntos formamos uma banda de rock que nunca tocou nada. Ouvíamos Sepultura e um montão de bandas de metal. Todos os domingos jogávamos bola na rua dele e eu era um dos melhores no campo. Tinha gente que dizia: - esse carinha vai ser jogador de futebol. Acorda...Dunga.

Tenho saudade de pegar jacaré com meus amigos na praia– surfar deitado, na gíria popular.

Hoje quero fazer o relógio caminhar mais devagar...
quero lembrar que quando chegava à tardinha ficava vidrado na TV vendo os desenhos animados e os filmes da sessão da tarde...

Tenho saudade dos meus primeiros anos vividos na Fé...
Ahh..como era tão bom. Por tres anos consecutivos, alimentei-me com a Eucaristia diária.
saudade das rezas, dos amigos que íamos juntos fazer "visita no hospital".
do grupo de oração "da benção", que toda segunda-feira ia nas casas de nosso bairro.
ali...alicerçamos nossos primeiros passos na fé.

Lembro-me dos balões que dava nos ônibus...
das vezes em que pulei da janela por trás pra não pagar passagem...e o trocador rindo pra mim....Das tramóias que fazíamos juntos no tempo da mulecagem...

Hoje, quero almoçar em câmara lenta...
E lembrar o cheirinho gostoso da comida que mamãe fazia quando éramos pequenos...

Tenho saudade da minha rua quando ainda era de areia...
ali bem do lado da igreja matriz, o campinho onde jogávamos bola até escurecer; eu queria voltar a jogar bola de gude com meus amigos...faria qualquer coisa para voltarmos aquelas partidas do nosso campeonato de botão na rua...cada casa era um “estádio internacional”, onde as meninas faziam torcida organizada e tudo...montávamos altos campeonatos.

Hoje quero ouvir as histórias que mamãe contava...
E lembrar que quando vovô ia lá em casa, ficávamos felizes porque ele sempre trazia um trocado, e aí podíamos comprar mais brinquedos...

Hoje quero lembrar daquele entardecer num dia frio e cinzento em que não choveu...
Hoje quero desacelerar meu coração para meditar...
Ver o imperceptível, tocar o intangível, ouvir a melodia de minha alma e perceber bem o que só se pode ver com o coração.
Hoje quero estar em paz.

Confesso: não me acostumei com os adultos...
Depois de viver ao lado de gente grande, ando meio decepcionado. Quero de volta meus amigos de infância. Sei que é impossível e que não adianta tentar viver num passado idealizado. Resta-me o consolo de que o Reino de Deus pertence aos meninos.

Quando chegar lá, acho que verei uma bicicleta velha, pintada de verde, me esperando, um balão colorido, alguns brinquedos de minha infância...
Acho que encontrarei no céu um velho tocador de discos só pra mim, e como por “assimetria afetiva” quero passar anos conversando com meus amigos e amados sobre a vida, a poesia do mar, a beleza das galáxias e sobre a simplicidade das crianças.


Hoje tenho saudade de tudo.
saudade de mim.
saudade, enfim.
a paz.

Frei Eduardo F. Melo
19 de setembro – 2009.
Salamaleiko.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

NINGUÉM PERGUNTOU MAS EU CONTO!



Ninguem Perguntou, mas eu conto...


1. NOME? Eduardo Faleiro Melo (amo e estranho meu primeiro sobrenome- coisa meio rara esse lance...de Faleiro).


2. PORQUE LHE DERAM ESSE NOME? Minha mãe quando era menina sonhava em ter um bebê chamado Dudu...aí eu realizei o sonho dela....

3. VOCE FAZ PEDIDOS ÁS ESTRELAS? Negativo...Converso com elas. Nada peço.

4. QUANDO FOI A ULTIMA VEZ QUE VOCE CHOROU? Quarta-feira passada. Depois da despedida de minha amiga Flavia e quando vi o Filme “Uma mente Brilhante”. Quando tem despedida, quase sempre choro. Mas é raro. Porém amo.

5. GOSTA DA TUA LETRA? Ela originalmente é de fôrma, acho diferente.

6. GOSTA DE PÃO COM O QUÊ? Cara, pão com pão...pra mim é tudo. Com manteiga de minas, com mortadela, com presunto, com ovo e com linguiça.

7.QUANTOS FILHOS VOCE TEM? Putz, pergunta ingrata essa...

8. SE VOCE FOSSE OUTRA PESSOA, SERIA SEU AMIGO? Cara, eu me acho um sujeito bacana. Logo, penso que valeria a pena a aproximação. Fala a verdade, pessoal, o frei é um cara legal, né?

10. TEM UM DIÁRIO? Tenho não. Nunca tive. Agora só o blog mesmo.

11. VOCE É SARCÁSTICO? Creio que não. Pergunte aos meus opositores...

12. SALTARIA DE PARA-QUEDAS OU DE ASA DELTA? Hãn..deixa minhas férias chegarem....Ainda vou entrar nessa...Tenho amor a minha vida, então, clarooooooooo...

13. DESAMARRA OS SAPATOS ANTES DE TIRÁ-LOS? Heheh..nunca usei sapato. Só tênis...e sandálias...

14. ACREDITA QUE VOCE SEJA UMA PESSOA FORTE? Putz..pergunta pra quem me conhece...

15. SEU SORVETE FAVORITO? O velho flocos....

16. QUANTO CALÇA? 40...

17. VERMELHO OU PRETO? Bá...detesto estas cores..detesto flamengo...pra mim...verde..marron...e branco.

18. O QUE MENOS GOSTA EM VOCÊ? Meu imediatismo.

19. O QUE MAIS GOSTA EM VOCÊ? Minha facilidade de sorrir e de abraçar. Mas o que amo mesmo é que sei contar histórias e de correr que nem o Forrest Gump..



20. DE QUEM SENTE MAIS SAUDADES HOJE? De gente que me quer bem...mamãe, pai, Renato, Flavinha, Detinha, Nair, penha e um montão de gente no acre...e tantas outras pessoas.

21. DESCREVA A ROUPA E O CALÇADO QUE ESTÁ USANDO AGORA: Camisa quadriculada em tom de branco e azul, calça cargo cinza, sandália havaina, cabelo meio avacalhado, barba por fazer...

22. QUAL FOI A ULTIMA COISA QUE COMEU HOJE? Agora já..um franguinho com 2 latinhas de cerveja aqui em casa. Bora? Se você chegar em 8 minutos dá pra pegar..

23. O QUE VOCE ESTÁ ESCUTANDO AGORA? Los Hermanos, dois barcos.

24. A ÚLTIMA PESSOA COM QUEM FALOU AO TELEFONE? Ontem, mamãe. Me abençooou.

25. BEBIDA FAVORITA? Água, Suco de laranja e...

26. COMIDA FAVORITA? A comida da mamãe, angu com boi ralado.

27. FILME DE TERROR OU COM FINAL FELIZ? Final feliz é sempre bom, mas não gosto dos muito mela mela.

28. ÚLTIMO FILME QUE VIU NO CINEMA E COM QUEM? O seqüestro do metrô 123, com minha amiga Flavinha.

29. DIA FAVORITO DO ANO? Adoro as sextas-feiras, a tarde do sábado e amo a nostalgia e o cheiro de churrasco dos domingos a tarde.

30. INVERNO OU VERÃO? Verãoooooooo.

31. BEIJO OU ABRAÇO? Os dois.

32. SOBREMESA FAVORITA? Imagina o presidente chupando laranja depois do almoço?

33. QUE LIVRO ESTÁ LENDO? Revistas..filosofia e psicologia.

34. O QUE TEM NA PAREDE DO SEU QUARTO? Dois quadros de fotos em preto e branco, dois discos de vinyl pindurados...um quadro de nossa senhora...

35. O QUE ASSITIU NA TV ONTEM? Também nem assisto muita Tv, me falta paciência.

36. QUAL FOI O LUGAR MAIS LONGE QUE VOCE FOI? Dentro de mim ou fora de mim? dentro de mim, acho que já fui no meu calcanhar uma vez...fora de mim, no machu pichu...no Peru.

Salamaleiko.
Frei Eduardo F. Melo
15 de setembro-2009.


domingo, 13 de setembro de 2009

Homo Sum et Nihil Humani a me Alienun

Horizonte Distante.
Uma mente Brilhante.



HOMO SUM ET NIHIL HUMANI A ME ALIENUN
"Sou humano e nada do que é humano me espanta"

Aceito o desafio de começar escrevendo este texto fazendo um desabafo. Confesso que há um pouco de tristeza em meu coração esta semana.

Depois que vi novamente o filme "Uma mente Brilhante" na última quarta-feira, alguns insights surgiram em minha mente e meu desejo de estudar mais e mais os casos clínicos da psiquiatria aguçaram em mim uma dor que não quer passar.

Por isso fiz um compromisso ético com minha alma. chorei por duas vezes nestes dias. Há tempos isso não acontecia. Hoje, com este artigo celebro feliz meu choro e meu lamento.

Já decidi: investirei mais tempo na leitura de temas relacionados às ciencias humanas. Filosofia e psiquiatria já são parte de meu recreio, de minhas noites de leitura e de minhas investidas literárias semanais.

Quero compreender e aceitar as fragilidades do viver humano com mais compaixão.
Quero aceitar que conceitos como a tristeza, inexatidão lógica na forma de pensar, devaneios sem nexo, presságios, angústia por não saber tomar a decisão certa são engrenagens que fazem parte também da esfera de meu mundo. E não só dos que consideramos "anormais".



Confesso que sentimentalismo e nostalgia sempre foram temas presentes em minha vida. Certa vez me deparei com um portador de alguma doença mental crônica numa rua do Rio de Janeiro. Eu era adolescente, acho.

Era domingo a tarde, o dia e a hora em que sinto mais nostalgia. Não é atoa que justamente agora decido postar este texto....

Eu andava ali pelo centro, sozinho, taciturno, sem rumo e sem pressa quando um homem dito por "louco"  me fazia enxergar um mundo que era só seu. Sentia a solidão em seu peito. Ele remexia jornais velhos e rasgados enquanto brigava com o vento. E como  admirador secreto de sua poesia viva, eu o olhava.

Começei a entender, que sozinho, ele não estava em seu mundo.
Eu já era parte do dele. E ele parte do meu.

Desde esse tempo, e depois que tocado pela urgencia desta "sacra arte" de aceitar o diferente bem perto de um mundo que "era também meu", descobri minha paixão pelo mundo alternativo e paradoxal dos ditos "loucos". Ezquisofrenia era o nome daquela sina.

Depois de um tempo, descobri que na ezquisofrenia, a discrepância entre o mundo real e o mundo imaginário não é apenas uma questão teórica. um fio de nylon que separa e une dois mundos num só.



Aceito que só eles tem a sublime condição de dizer:

"existe um mundo além, e existe o além dos além".

Amo essa discrepância nominal cognitiva.
Amo essa "aberração sem berro" de perceber um mundo para além daqui.
Amo essa forma límpida e alternativa de conceber o real sob outro prisma.
Amo essa visão distorcida e sem lógica de ver e encontrar lógica aonde não há.
Amo essa capacidade de se comunicar com coisas que para eles tem vida, e creio, tem mesmo.

Por conta disso, com eles, acho que aprendi a ser sensível. No passado, engolia o choro, disfarçava a tristeza, fugia da melancolia. Quando adolescente, lembro-me de tempos e tempos em que me sentia isolado e distante do "padrão normal" de meus contemporâneos.

Digo aqui...já chorei muito quando menino, sentia-me sem rumo, sem futuro, sem metas e sem amigos verdadeiros. Um Eduardo tímido e de poucos amigos emergia de mim sem saber porque. Mesmo com tanto amor, zelo e carinho de meus queridos pais, fui assim.

Para a surpresa de alguns, se posso dizer, quase fui um menino melancólico e depressivo. Introspectivo e visionário, gastava tempo "pensando e vendo" coisas que os meninos normais da minha geração (minha rua) sequer imaginavam. Hoje, rendo graças ao bom pai por aquele tempo. Vida que segue....

"Ó Deus do tempo, dai-me luz."




Fiz as pazes com as lágrimas. Hoje, sem medo, falo sozinho.
Aconselho-me com as árvores. 
Ando por estradas desertas. Caminho sem pressa.
subo montanhas para ver o pôr do sol. 
Aprendo com os ventos.
Confesso que amo estar com quem sabe levar a vida numa boa.
Já não soluço prantos sem lágrimas.
Busco o silêncio na calma e no coração de quem me quer bem.
Mas ainda assim hoje choro uma tristeza.

A tristeza que não tem nome.
Talvez se chame saudade.
Saudade de um tempo que não volta atrás.
Saudade, saudade.

Hoje confesso:
Anseio por doçura. Tenho sede de bondade.
Busco a grandeza de quem ainda sabe rir e chorar.
Por isso choro. Aprendo com a leveza dos pequenos, dos esfolados e crucificados pelo sistema.



Choro com o Geraldo  Rocha que esteve uma de nossas celebraçoes e me pediu uma benção com os braços erguidos ao eterno. Sua presença foi um presente do alto.
Choro porque só eles tem poesia verdadeira e não sabem.
Só eles fazem parte de um mundo que foi o mesmo mundo do nazareno.

O mundo do Geraldo, o mundo da estamira, o mundo dos esquisofrenicos, o mundo dos melancólicos marginalizados, o mundo do messias crucificado é um mesmo mundo, redimido pelo eterno, santificado pelo dom do alto.

Essa é a questão.

"Sei que mesmo quando não podemos mais falar, quando a nossa dor é tão grande e que mal podemos mover os lábios para chorar ou expressar, mesmo assim não estamos sós".

Ele está conosco. Isso é o que interessa.
Salamaleiko.

Frei Eduardo F. Melo
13 de setembro - 2009.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Dies laiter Visum

Amo a Vida.

Amo a vida, mesmo que ela precise provar minha paciência e me diga palavras duras.
Amo a vida, mesmo que ela pareça escapar como água que escorre entre meus dedos.
Amo a vida, mesmo entendendo que ela carrega consigo mistérios que ninguém sabe decifrar.

Amo a vida, mesmo tendo que andar tanto para só depois da última curva entender meu coração.
Amo a vida, mesmo que a solidão, o pessimismo e a frieza da história turvem meu olhar.
Amo a vida, mesmo que me digam que ela não vale a pena.
Só sei que um dia poderei dizer a ela: tu foste minha, eu fui teu.
Hoje devolvo-me para ti e não espero nada em troca.

Mas amo a vida mesmo, sabe porquê?
Porque nem sei dizer bem, só sei que ela me encanta.
E porque tem lugar, e porque tem gente que, estando nela, só de pensar já me alegra.
E isso é bom, tanto tanto tanto.

Por isso, repito com a escritora Simone Weil:

"Creio no sol, mesmo que ele não brilhe.
Creio no amor, mesmo que ele esteja oculto.
Creio em Deus, mesmo que ele esteja em silêncio."

Salamaleiko.
Frei Eduardo F. melo
(10 de setembro - 2009)

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

DA DIFÍCIL ARTE DE ACEITAR.

AB IMO CORDE ABI AMICIS HONESTA PETAMOS
(Sinceramente só devemos pedir aos amigos coisas honestas)
Olá...
Bom dia, irmãos!
No dia em celebramos nossa independência Republicana, posto aqui em meu blog uma nova mensagem no desejo de começarmos bem nosso dia. É parte do livro dum escritor que admiro, o Marcelo Villaça em sua Obra...."Para compreender a vontade de Deus".
Que tenhamos uma ótima semana debaixo das graças do nosso Deus e Pai.
A paz a todos.

DA DIFICIL ARTE DE ACEITAR...

Abrahão aceitava os estranhos, e Deus ficou contente.
Elias não gostava de estranhos, e Deus ficou contente.

David tinha orgulho do que fazia, e Deus ficou contente.
O publicano diante do altar tinha vergonha do que fazia, e Deus ficou contente.

Moisés teve coragem e arriscou, e Deus ficou contente.
Jonas teve muito medo e fugiu, e Deus ficou contente.

Pedro teve pouca fé e duvidou, e Deus ficou contente.
A Samaritana teve muita fé e acreditou, e Deus ficou contente.

Como hei de saber o que dará alegria ao meu Senhor?
Na perspectiva da humildade, Faça o que o seu coração mandar, e Deus ficará contente. E se precisar voltar, depois de errar, Ele não pode ficar indiferente..."

De inicio pensei: esse texto pode dar margem para que o leitor pense num Deus que tudo permite, um Deus bonachão, relaxado com o presente e com o rumo da vida de seus filhos. Só depois entendi. Ele não intervém porque deseja que sejamos responsáveis por aquilo que cremos, e a partir do que cremos, com aquilo que fazemos.

Essa é a questão.
Shalom.