27 de Janeiro de 2007.
Hoje quero derramar meu coração em palavras...
Cinco anos atrás eu era ordenado Sacerdote da Igreja.
Lembro com alegria e gratidão os amigos que lá estiveram presentes.
Lembro do tanto que chorei ouvindo Diante do Trono cantar: "Preciso de Ti", duas horas antes de iniciarmos a celebração.
Derramei lágrimas naquele quarto escuro e sereno que antecedia o sublime momento de minha consagração.
Lembro da satisfação em ver os meus queridos presentes naquele dia único e sagrado.
Hoje fiz memória daquela tarde de sábado que nunca mais voltou.
O Silêncio do templo, a brisa leve que entrava pela porta frontal da Igreja.
As imagens, a cruz central, o sacrário que me leva a contemplar o mistério da fé. Tudo preenchia de extase meu coração.
Minutos antes, me confessei. Tamanha era a o sentimento de indignidade. Precisava restabelecer minha comunhão com o Pai através da reconciliação.
Agradeci ao Bom Deus pelos anos servindo a Igreja.
Pela minha conversão, pelo tanto que Ele significa para mim, pobre servo.
Confesso, apesar de minha fraqueza na fé:
Amo a Igreja, porque nela me sinto filho de um pai amoroso.
Amo a Igreja, porque Ela nunca me ensinou a errar.
E porque se peco, é por minha inteira e única responsabilidade.
Sei em quem eu coloquei a minha confiança, mas também sei quão trôpego e fraco fui diante de meus erros.
Amo celebrar a Eucaristia..
Momento sublime e riqueza mais sagrada da Igreja.
Amo estar com os que professam a mesma fé que eu.
E me sinto bem (também) com os que professam uma fé diferente.
Diante de tudo o que sinto, olho para o Deus que me contempla.
Ele sabe o quão dificil tem sido manter-me de pé.Mas nem por isso, perco a esperança de ser o vaso de barro que deve ser quebrado em suas mãos.
Ele sabe o quão dificil tem sido manter-me de pé.Mas nem por isso, perco a esperança de ser o vaso de barro que deve ser quebrado em suas mãos.
Quem sou, ó Deus, diante de Ti?
Sou como um andarilho parado no meio da estrada..
Sou como aquele pote de água parado em cima da montanha...
Sou como o menino em cima da árvore a olhar o céu...
Sou como uma pipa que voou e nunca mais voltou...
Sou como o passaro que se perdeu do bando na ultima primavera...
Sou como a garrafa que veio parar na areia daquela praia deserta...
Sou um colecionador de lustres antigos, roupas antiquadas e quadriculadas...
Sou como o barco a vela que veio do meio do mar...
Sou um visionário que ama coisas velhas, baús, discos e relicários...
Sou um observador de minhas sombras e luzes..(são tantas).
Sou um carioca de alma mineira...
Um acreano sem sotaque remando no rio...
Um capixaba peregrino por filiação paterna...
Um navegante sem barco e com remos....
Sou como um escritor sem livro...
Um estudante sem diploma...
Um andarilho de mochila...
Um olhar e uma pausa silenciosa do ato de pensar.
Hoje, quero corresponder,
Com a oferta do meu viver
Ao apelo de Deus em meu coração.
Quero ofertar minha vida,
E render ao meu Senhor tudo o que tenho e sou.
Gastar os meus dias
Minha juventude, por amor
Porque o meu perfume não se espalhará
Se não me derramar pelo teu amor, ó meu Senhor..
Essa é a questão.
Soli Deo Gloria.


















